As gravações de hoje em dia: o conto da Cinderela e o encanto quebrado

“E como havia sido dito pela Fada Madrinha, meia noite e todo o encanto se foi: a bela carruagem se transformou em uma grande abóbora!”
Assim como nos contos de fada, hoje em dia a música passa por um processo interessante relacionado à gravação em estúdio: presenciamos um toque de mágica e retoques nas gravações.
A arte de ser Frankestein, se torna possível devido a forma de gravação digital (praticamente usada por todos os estúdios e técnicos), além da enorme quantidade de programas que podem fazer um trabalho denso de edição de praticamente todos os elementos gravados para uma música.
Algo fundamental para esse “clube de corte e colagem” se deve ao processo usado para gravar: cada instrumento possui um “track”, ou seja, uma gravação separada.
Assim como uma cebola, a gravação de músicas em estúdio se dá (em sua maioria) por gravações por intrumentos, e só posteriormente essas faixas individuais são unidas, formando assim a música.
Havendo uma faixa com só as notas, por exemplo, de um contra-baixo, se torna possível mexer no que foi captado.
O que acontece hoje, é que muitos programas de correção fazem com que as músicas sejam tão retocadas que soam de uma maneira estranha, e sem um toque real, os pequenos erros.
Além disso, algumas correções de alguns erros complexos (ou por falta de tempo, técnica, habilidade, talento) soam um tanto quanto robóticos por ser algo muito brusco, muito mexido: assim como escrever em cima de algo já escrito a caneta.
Fica marcado e na cara.
Além disso, hoje há o uso de muitos recursos que simulam alguns instrumentos, além do uso de gravações além do que é a realidade do conjunto ou da banda. Por exemplo: uma banda composta por cinco pessoas, com duas guitarras, baixo e bateria, e gravam cinco linhas, dobrando (gravando duas vezes a mesma coisa) algumas bases; ainda botando um violino. O que acontece é que ao se escutar a música gravada em estúdio e a ao vivo, contrasta assim como pedir um dogão completo e vir um pão com salsicha.
Hoje, muitas bandas investem em inserir muitos aspectos e mexer em muitos erros (e não praticar mais, gravar mais vezes aquilo que não está bom) e acabam forjando o que realmente conseguem fazer.
Passar em estúdio aquilo que a banda é fora, é algo que todo músico que começa hoje deveria levar em conta.
Qualquer contratante ou qualquer possibilidade de mercado, acaba se estreitando quando há uma discrepância tão grande entre o que quiseram fazer parecer, e com o que de fato é.
É melhor comer um doce abóbora do que dar uma mordida em uma carruagem de abóbora!

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s