Era uma vez um canal chamado MTV… e quem é o lobo mau?

Talvez uma das mais antigas memórias que eu tenha relacionada à música venha de um clipe: Money For Nothing, Dire Straits.
Um clipe totalmente anos 80, com recortes e efeitos visuais toscos, quase que experimentais.
Uma história que nada fazia sentido com letra, ou pelo menos, se era pra ter, o pouco conhecimento e a grande viagem nos recursos visuais conseguiram tirar qualquer relação.
Ainda muito pequeno, vi esse clipe em um canal de tv, e me impactou de uma maneira tão forte, que nunca esqueci esse evento. Foi na MTV. Um canal que tinha a grande missão: mostrar os vídeos das músicas que escutávamos nas rádios (cidade, transamérica, antena I).
Era assim: uma espécie de filme baseado em livro, só que a imagem produzida a partir do som.
Um aspecto interessante, dando à música um status além de tudo que ela já é, ou era, somente com o áudio.
Genial!
Posteriormente, os papeis se inverteram: não era mais a música famosa que ganhava um vídeo, mas o vídeo que divulgava a música ainda não conhecida.
E quantas bandas não conhecemos assim?
A primeira vez que ouvi Red Hot, Stone Temple Pilots, Bush, Bad Religion, Blink, Pitty, LSJack, Detonautas.
O canal ganhou estrutura e sua programação mais livre, só com clipes, começou a dar espaço a programas que conciliavam a apresentação de clipes com alguma apresentação feita por um VJ. Os programas traziam novidades, intercâmbio entre a própria cultura brasileira, fatos engraçados.
A MTV caminhava muito bem quando sua função inicial continuava, independentemente de sua programação com vários apresentadores com um espaço com certa temática (disk mtv, mochilão, etc). Enquanto a MTV passava clipes e isso se configurava em uma forma de poder ver músicas novas, ver o que acontecia na europa e nos EUA em termos musicais, ou até mesmo ver como era a ideia visual de certa música, tudo ia bem.
O declínio. Bem, a programação da emissora começou a ser contaminada com a estrutura de outros canais: programas e programas diversos. E foi aí que a música começou a deixar de ser o foco. Não somente os clipes. Mas para manter uma programação diferenciada, vários programas eram apenas programas para jovens. E esses programas logo pegaram a presença paulista, uma vez que os participantes dos programas eram das redondezas. E nesse ponto, a MTV se tornou um recorte de uma certa cultura, com programas perdidos, com poucos clipes.
Em certo momento, a MTV se tornou o lar do hip hop, e tudo ali respirava isso. A emissora passou a ser um “maria vai com as outras” da modinha americana, e perdeu seu potencial abrangente de conteúdo musical. A MTV virou uma mesmice, e completamente igual a qualquer canal ou rádio pop.
A MTV perdeu público musical, e ganhou público da modinha.
Youtube, myspace, mp3, facilidade para baixar vídeos… toda avanço na velocidade, gera um grande impacto na mídia, e nesse âmbito, a emissora paulista perdeu seu outro componente interessante: o fator novidade.
A MTV não era mais necessária para alcançar o que era novo nos locais que ditam as tendencias musicais.
Passo a ter o que quero via internet.
E cada vez mais, menos clipes, e mais programas lixo. Programas de jogos, programas de paquera, programas juvenis.
Bem, os jovens também crescem… e aí a rede perde mais ainda.
A MTV teve o fator cômico como uma arma por um bom tempo: piores clipes do mundo, hermes e renato.
E o que aconteceu? Quando esses programas ficaram maiores do que a própria rede, foram vendidos.
Chego até essa frase, pensando “mas é claro que era pra deixar de ser canal aberto”!
A MTV passará a ser um canal fechado, e provavelmente com programação gringa, com mais clipes do que programas… e eu fico pensando e, tirando o fato de sr canal fechado, olha… acredito que vai ser bem melhor ver clipes, a ideia original!

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