A nova sociedade e a música do aqui e agora

Escutamos por todas as partes um grande número de pessoas que comentam sobre como que a atual geração é caótica, ou como que as coisas hoje não são como antigamente.
Há uma grande discussão sobre tal assunto em minha cabeça, que vai de uma ideia de um saudosismo a um “realmente há algumas coisas que estão ruins”. No entanto, muitos pontos positivos são encontrados hoje, que antigamente não eram possíveis. Resumindo: tudo que é de nossa infância é melhor pela saudade, pelo fator único, e cada época traz com ela aspectos bons e aspectos ruins.
O que isso tem de conexão com música? Talvez um fato. A informação e sua velocidade.
Muitos teóricos trouxeram a ideia de como a informação se molda e se modifica de acordo com a velocidade em que é propagada. A maneira, o público, o efeito. Tudo muda. Partimos de uma ideia da informação dada na interação social, no face-a-face, e vamos evoluindo até um ponto em que a notícia vira fonte (um ponto) que atinge muitos. Depois vamos para a notícia que passa continentes. E hoje estamos na época da cyber-virtual realidade.
A informação hoje transborda, é ampla, e está em todos os lugares (e vindo de todos os lugares).
Mais uma vez: o que isso tem de conexão com a música?
A música se inclui em um “cardápio” de possibilidades fornecidas pela mídia, e dessa forma, ela também se modifica e se modificou.
Da mesma forma que a mídia se modifica, o público constrói sua realidade a partir dela, e também muda.
Com a velocidade e com o grande número de estímulos bombardeados ao mesmo tempo, as pessoas se tornaram impacientes.
O aspecto do “obsoleto” se tornou algo mais rápido. Ou seja, são tantas as informações, tantas músicas, locais que armazenam 500 músicas, que não se tem tempo para escutar uma música de 3 ou 4 minutos.
A sociedade se torna mais do “aqui e agora” e lida com uma batelada de eventos e acontecimentos, estímulos diversos, e ela torna o que aparece rapidamente descartável.
A música sofre hoje com essa dificuldade, de tanto entrar no mercado, como de ficar.
É difícil que escutem, e mais difícil que após escutarem, que continuem por muito tempo.
Ou seja, se não há um grande investimento financeiro por trás, as bandas no máximo se firmam como bandas de uma música. Quando há dinheiro, há a possibilidade de toda hora ter material e coisas novas para entreter um público sempre faminto.
Talvez isso explique um pouco da quebra da industria fonográfica.
Há os que gostam da música por que gostam e irão escutá-la por muito tempo, mas esses, ah esses são poucos.
A grande massa que consome está sempre no aqui e agora, perdendo o que foi há 5 minutos, e o que virá daqui a 5.
É assim… o músico hoje deve ter sempre qualquer coisa pra divertir e chamar atenção.
Um circo que tem o palhaço que precisa botar mais e mais melancias, e um público que usa o nariz vermelho e que tá sempre deixando os óculos em casa…

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