Ser professora, mais que uma profissão, um estilo de vida.

No final de 1997, quando terminava a oitava série e escolhi no final do ano fazer a prova para entrar no CEFAM (Centro de aperfeiçoamento ao Magistério), talvez eu não tivesse muita noção, ou melhor, a dimensão do que estava escolhendo. Nos meus quatro anos de estudos integrais no magistério eu nunca podia imaginar o quanto o bichinho da educação é um vírus mortal, depois de ser picada sua vida nunca mais será a mesma. Educar vai muito além da escola e se torna um estilo de vida.

É nadar contra a maré, principalmente num país onde os governantes não dão o menor valor a educação, principalmente por saberem que o conhecimento liberta o povo de suas dominações. Escolher a educação como profissão vai além do aspecto financeiro, é uma ideologia a ser seguida, uma utopia de quem crê que um mundo diferente é possível, e que essa mudança passa pelo banco escolar.

O que seria de nossos médicos, magistrados, engenheiros, jornalistas, etc, etc e etc sem a figura do professor. Praticamente nenhuma profissão existiria sem a passagem pela escola. Sem a troca de saberes que só a sala de aula pode proporcionar. Num mundo de hoje, onde cada vez mais cedo os bebês tem começado a frequentar a escola, como valorizar e remunerar tão mal nossos professores?

Na modernidade líquida, onde os relacionamentos acontecem cada dia mais a distância, intermediados pelos mais diferentes aparelhos eletrônicos, uma das poucas relações que continua sendo bem humana, é a relação entre alunos e professores. Porque essa relação acontece olho no olho, conversa a conversa, na troca de experiências, de saberes. Num mundo onde pais e filhos mal se encontram em casa, são os professores que estão ali para escutar os problemas e os anseios de nossas crianças e adolescentes. Quantas não foram as vezes que trabalhando com educação infantil fui eu que informei aos pais que tipo de coisas seus filhos contavam, que tipo de coisas cotidianas eles eram capazes de realizar.

Neste dia dos professores também é importante refletir sobre outros aspectos que ajudariam o professor na sua missão apaixonada por ensinar. Tais como redução do número de alunos por sala, e falo de uma redução drástica mesmo, do tipo 18 alunos por sala no ensino fundamental e ensino superior. Para que todos pudessem ser melhor assistindo em suas necessidades intelectuais e pessoais. Logo com a redução de alunos por sala, viria a necessidade da construção de muito mais escolas, que deveriam ser bem melhor projetadas, com uma manutenção periódica e cheia de materiais pedagógicos diversos, num mundo cheio de tecnologia o professor ter apenas lousa e giz é um tanto quanto estar em descompasso com nossa época. Além do que uma profunda reformulação nos nossos conteúdos pragmáticos, que estão muito aquém da realidade da vida.

Parecem utópicos demais meus sonhos para a educação no Brasil, mas se eu não acreditasse em utopia eu certamente teria escolhido qualquer outra profissão. É por acreditar em utopias que eu encontro motivação diariamente para querer continuar na educação, mesmo com todos os desafios possíveis.

Assim meu café de hoje vai dedicado a tod@s @scolegas de profissão, que apesar da adversidade ainda levam o magistério com amor, carinho e dedicação. Porque sabem que educar é muito mais que uma profissão, é um estilo de vida!

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