Minas, terra da gente

“O céu daqui não é tão bonito quanto o céu de Cuiabá”, sussurrou ela. “Na verdade, não consigo entender o porquê de tanta poesia e veneração em torno de Minas”, continuou. Questionando talvez o porquê de Rubem Alves por diversas vezes poetizar suas crônicas devotando elogios às terras mineiras; arrazoando, ainda que inconscientemente, o motivo pelo qual esta terra gera tantos poetas quanto caipiras – terra de Adélia, Drummond e outros mais.

É, pode ser que ela é que esteja com a razão e Minas não seja tão atraente assim, da mesma maneira que o céu de outras cidades possam mesmo ser mais charmosos que o daqui.

Na verdade, quando me ponho a pensar, não consigo definir se Minas é que encantou aqueles que passaram a admirá-la ou se eles é que a tornaram uma terra encantada. De uma forma ou de outra, esse lugar tem marcado pessoas desde a muito. E essas marcas estão refletidas em uma enormidade de expressões artísticas ao longo da história.

Só de pensar na possibilidade de haver de deixar este chão, meu coração se põe a bater mais forte, meu paladar já sente saudades da cozinha típica de nossos pais, e meus ouvidos já se entristecem pela possibilidade de não ouvir mais o sotaque da roça.

E por falar das coisas mineiras: pra saber se a família é legitimamente mineira basta esperar a hora da comida. Se o dono da casa se entristecer pelo fato de o hóspede não se agradar da comida, aí está um legítimo mineiro. Porque mineiro que é mineiro é assim, serve do melhor quando tem visita; quer sempre alegrar o visitante. E quando percebe que agradou ao paladar alheio, fica todo contente.

Comida é coisa séria para o povo daqui, queijo tem que ser do bom, frango tem que ser caipira, leitoa só se for “pururuca”, torresmo deve ser carnudo e bem sequinho, caipirinha é com pinga e quentão não pode ser fraco. Sem falar do pastel de farinha de milho, do biscoito e broa caseiros, das roscas e outros quitutes que saem aos montes nas festas juninas.

Ah, ser de Minas é ser poeta!

E poetas não nos faltam. Alguns fazem poesias com palavras, os escritores; outros, na cozinha, fazem poesia por meio de fórmulas mágicas, os chamamos de cozinheiros, mas poderia igualmente serem chamados de feiticeiros; há também aqueles que constroem contos, os vemos em contações de estórias nas rodas das esquinas e nas portas dos bares – e o mais interessante: não sabem escrever uma só linha, para estes o “verbo” é para ser rasgado, e o “sujeito” é aquele cara da história do Mané que acabou ficando sem nome.

Não importa muito entender se é Minas que encanta ou se nós é que encantamos esse lugar, o que mais importa é sentir que Minas é terra da gente, lugar pra se viver e, caso não se viva aqui, sentir saudades! Saudades que geraram e continuarão a gerar versos e mais versos, versos daqueles que não se cansarão de cantar: “quem te conhece não esquece jamais. Ó Minas Gerais!!!”

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