Sincero, muito paciente, perfeccionista, detalhista e muitos outros do hall do “coisas para se responder quando te perguntarem quais são seus defeitos”

Fico imaginando o real motivo de se perguntar suas qualidades e seus defeitos em uma entrevista de emprego.
Não vejo boas respostas se formos de fato sinceros, principalmente para responder quais são seus defeitos.
Somos pessoas, e seguimos com aquela veeelha ideia: temos defeitos e temos ótimas características.
No entanto, ser sincero em uma entrevista de emprego acaba com qualquer chance.
Por exemplo, se a sinceridade for um atributo visto como uma qualidade, deveríamos ser sinceros em nossos defeitos, mas é complicado falarmos aspectos que podem comprometer a impressão que a pessoa que nos fez as perguntas.
Gostaria de poder ser sincero, mas não posso,
Por quê? Porque quando eu falar que sou criativo, que gosto de inovar e tantas outras coisas positivas, serão apenas alguns aspectos interessantes, mas não determinantes, só uma visão do sujeito sobre ele mesmo.
Já se falo que odeio acordar cedo, sou preguiçoso e que sou cabeça dura, estas características vão ser definidas como rótulos, aqueles famosos pré conceitos negativos e estigmatizados como possíveis comportamentos após ser contratado.
O que é de bom, a gente duvida, mas se apega ao que é falado como negativo.
Isso significa que a premissa de quem contrata é a de que as pessoas vão tender a desorganizar, reduzir produtividade, ou não se firmar na empresa; nessa lógica, desde o começo são percebidos os aspectos negativos, e se busca aquele que tem menores chances de problemas.
É um pensamento de mercado, que quer evitar riscos, e que não se apega a qualidades e potencialidades do indivíduo.
Não seria interessante ter alguém sincero mesmo que preguiçoso, e que no final trouxesse algo a mais para uma empresa?
Deve ser por esse olhar negativo desde o começo, pelas cansativas jornadas de trabalho (que não estão necessariamente ligadas a períodos de maior produtividade do empregado), por abuso de poder pela hierarquia, que há uma rotatividade alta com altos custos relacionados.
Não é pelo lado positivo que se vê, mas sempre pelo mais próximo do que se espera e sempre visto com uma tendência negativa.
Seguimos uma lógica de que somos culpados até que consigamos provar que não.
Somos pessoas que são analisadas como pessoas com características ruins que querem ser encobertas.
Me pergunto agora: então qual é a motivo de perguntar sobre qualidades e defeitos que uma pessoa vê em si mesma?
Confesso que não sei!
O dia em que fui sincero, me ferrei!

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