Texto sem título, gente sem nome e sem rosto.

Estava lendo uma notícia hoje de manhã e me deparei com uma crônica a respeito desse tema que quero tratar aqui também por imediata inspiração. A notícia era sobre mendigos e o incômodo que eles causam em todos nós. Por que sentimos repúdio, pena, dó, nojo, ou sei lá mais o que, quando vemos um semelhante (Espero que você ainda esteja aí lendo) em situação de miséria na rua ?

Algumas coisas me chamaram a atenção no texto que li. A primeira delas foi a fina ironia com que o autor menciona as pessoas em situações de rua (acho que esse é um dos nomes mais adequados hoje, segundo uma amiga que estudou, pesquisou e trabalha com esses camaradas) como aqueles que já moram embaixo da ponte e nós outros, como aqueles que “ainda não moramos”, porque de fato, se analisarmos o histórico de cada um deles, o que nos separa são bem poucos detalhes.

A segunda coisa que me chamou atenção no relato que li foi que, ao simpatizar com um idoso que morava num viaduto perto de seu trabalho, o autor comprou um pão na padaria e ofereceu ao tal senhor. Até aí, morreu o Neves!  Interessante foi a reação dele, que devolveu o pão e indagou: “Amanhã vai ter pão fresquinho?” e a reflexão óbvia que ele teve depois e que todos nós teríamos se fosse nosso caso: Não! Todos nós sabemos que não!  Quando pagamos um lanche ou damos um troco a uma pessoa dessas, em geral, só queremos tranqüilizar nossa consciência e fazê-la desaparecer da nossa frente, o mais rápido possível.

A questão é: por quê? Possivelmente porque vemos nesses seres humanos, o reflexo da NOSSA miséria! Nossa miséria é conviver com um semelhante nesse estado e ignorar como se fosse uma coisa normal. Nossa miséria é aplacar a nossa consciência oferecendo um trocado a um ser humano que vive com animais nas ruas e fingir que podemos prosseguir com a vida. Nossa miséria é ter que reconhecer quão miseráveis nós somos ao sentir NOJO de outro ser humano porque ele mora nas ruas e ainda nos acharmos “justos e muito generosos” por oferecer um pão porque, “Se estivesse com fome mesmo, aceitaria!”…

Por que o idoso devolveu o pão? Porque a dignidade que ele precisa não é um pão que vai saciar e ele sabia que essa, o generoso doador de pão não estava disposto a lhe restituir. Já dizia a canção: “A gente (e eles também se incluem nessa categoria de gente, pode acreditar!) não quer só comida!”

Eu sei que você esperava um resposta, uma solução no final desse texto, né ? Pois é! Eu também! Quando encontrarem uma solução, me avise que eu edito aqui!

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