Não será fidelidade, se for por falta de oportunidade.

De todos os atributos divinos, a fidelidade sempre me encantou e chamou atenção. Nem mesmo a onipresença ou nenhuma outra chega a me comover tanto. Talvez isso se explique pelo fato de que a fidelidade é, ao mesmo tempo que atributo divino, uma virtude que os homens (e mulheres) também podem cultivar. Aí que está! Podem, mas nem sempre o fazem! Certamente é por isso que esse atributo divino me encanta, pois nos homens essa é uma virtude em extinção! Uma pena. Nós que estaríamos mais próximos de Deus se conseguíssemos ser fiéis, não o somos e ainda mais nos distanciamos.

Se a gente pensar só em fidelidade sexual entre casais, seríamos profundamente medíocres, mas mesmo nesse quesito, a fidelidade saiu de moda. Nem chega a ser escandaloso como o foi em outra época, que um casal tenha aventuras ou casinhos extra conjugais, considerados “sem importância” e quem não o faz é visto com “maus olhos!” Mas mais valiosa ainda é a fidelidade de vida. Essa não requer relacionamentos conjugais apenas, mas se brinda a todos os relacionamentos. É ainda mais profunda e bela pois exige mais do que relações sexuais monogâmicas.  Se é fiel de vida aos amigos, aos princípios, a si mesmo. Ser fiel a si mesmo pode se tornar uma das tarefas mais árduas e ingratas do mundo.

Engana-se novamente quem pensa que fidelidade só tem a ver com não enganar ou não trair nos sentidos mais simplistas dessas palavras. Quer um bom exemplo de fidelidade? Posso te dar dois.  Quantas vezes ao se atrasar para um compromisso ou para o trabalho você não ficou o trajeto inteiro pensando na desculpa e na mentira que ia inventar pra se safar de uma repreensão, mesmo sabendo que nem você e nem seu chefe acreditariam nessa desculpa? Isso é infidelidade. Infidelidade porque você assinou (supostamente porque quis) um contrato determinando a hora em que deveria chegar, entre outros deveres e direitos como contratado.

Outro exemplo, ainda mais radical? Quantos livros você pegou emprestado e nunca devolveu ou se o fez, o fez em péssimo estado, ou seja, não tomou o mínimo cuidado com um bem que não lhe pertencia? Infidelidade. Pode parecer e talvez até seja bastante radical, mas fato é que nós em geral somos educados pra ser infiéis, acostumados desde bem pequenos a inventar desculpas, justificativas e dar jeitinhos pras nossas manobras e enganos.

O maior problema disso é nos tornarmos cada vez mais desconfiados, vivendo o tempo todo na defensiva com tudo e com todos e a cada dia, mais cínicos. A fidelidade é um tema tão interessante que mesmo Jesus Cristo em um de seus sermões aos discípulos afirma: sejam fiéis nas pequenas coisas se quiserem ter responsabilidades maiores.  Entre viver na defensiva esperando pela infidelidade de todos ao meu redor, na tensão de qualquer traição iminente, eu prefiro escolher uma vida de fidelidade. Se terei fidelidade de volta da parte dos outros, não sei; mas viver mais relaxado vale a pena. Fidelidade nos dá uma chance de recuperar um pouco a imagem e semelhança com Deus. Em todo caso, viver um pouco mais tranqüilo com a própria consciência é melhor!

 

*Título é uma frase do Marquês Magno Salustiano

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