“Sou forasteira aqui…”

A gente nasce e cresce, passa uma boa parte da sua vida morando numa mesma cidade. Talvez seja isso que aconteça com muitas pessoas. Contudo, existem aquelas pessoas que mudam de cidades várias vezes na vida, outras mudam de país, outras mudam uma única só vez. Os êxodos rurais e urbanos, as migrações e emigrações acontecem pelas mais variadas razões. Sou uma mulher que viveu boa parte de seus 32 anos numa cidade da região metropolitana de São Paulo. Essa cidade foi construída à partir de uma aldeia indígena. Eu faço parte da linhagem de habitantes da cidade das primeiras famílias alemãs que vieram habitar o Brasil no começo do século XIX em busca de uma vida melhor. O nome da cidade Itapecerica da Serra.
Assim como eu, sua história familiar deve ser bem parecida com a minha, já que somos uma país colonizado, logo somos esse povo de misturas das mais diferentes culturas, é essa multiforme miscigenação que nos torna tão nós, tão brasileiros.
Não quero com meu Café de hoje discorrer sobre preconceito étnico-racial e sim celebrar os meus três anos morando numa cidade diferente da que cresci,(ontem, três de março completei três anos morando no Campo do São Bernardo) do meu sentimento de forasteira desde que me mudei para outra cidade da grande São Paulo. Certamente uns dos sentimentos que acompanha quem muda de cidade é a falta de pertença histórica. Eu sei de cabo a rabo a história da construção de Itapecerica da Serra até sua emancipação político administrativa, porém ainda sou incapaz de contar dois dedos de prosa sobre a construção de São Bernardo do Campo. Em compensação em três anos aqui tenho mais amigos e amigas do que os que deixei lá.

Outro aspecto interessante quando se é uma nova habitante num lugar é ser acolhida por alguém, e neste três anos aqui só posso louvar a Deus por tantas famílias que me adotaram e me fazem sentir tão cidadã São-Bernardense. Esses três anos foram bem intensos, muita coisa na minha vida mudou, minha forma de ver o mundo se ampliou, coisas das mais diversas aconteceram, coisas que sequer eu poderia ter imaginado ou sonhado. Tem sido um período que dediquei também a ajudar outros tantos forasteiros e forasteiras como eu, que moraram ou vão morar por aqui por apenas um breve período de tempo. E o que tem ficado de tudo isso é que temos que colocar a felicidade no lugar onde vivemos, claro que almejar coisas melhores deve ser sempre uma meta a se atingir, contudo é fundamental aproveitar ao máximo o que cada lugar geográfico, com sua cultura, costumes e tradições podem nos ofertar, e principalmente encontrando formas de transformar as realidades onde estamos, olhando para quem está nosso lado, com amor.
Assim o meu Café de hoje vai com gosto de gratidão aos anos vividos em Itapecerica da Serra, e a tudo que aquela cidade me possibilitou viver, e em gratidão aos tão pouco, contudo bem marcantes, anos vivendo em São Bernardo do Campo, que venham outros tantos anos aqui, ou quem sabe venham ainda outros anos morando em outras freguesias, contudo na certeza que histórias, acolhidas, forasteiros e experiências culturais nunca faltarão. E pra quem acredita no Cristianismo vivamos na esperança da habitar eternamente no Céu.

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