Café de aniversário

Não; este não é um texto sobre o aniversário do café. Ao menos, não ainda. Este é um texto sobre o meu aniversário, e um pouco do que eu aprendi com este e outros aniversários.

Aniversário, é aquela data especial, reservada especialmente para você, ( Sim, eu sei que estou chovendo no molhado, mas já, já, esclareço melhor este ponto) , é aquela ocasião, onde tudo torna-se mágico, onde tudo perde e torna a ganhar um sentido novo em sua vida, seja ele qual for.

Sempre gostei de curtir os aniversários, cercado de amigos, familiares, ou daquela pessoa especial que todos nós temos. E é sempre fundamental, para este dia ser um tremendo sucesso, termos atitudes positivas na vida, ou seja, distribuir e receber sorrisos, beijos e abraços. Sermos gratos à DEUS, ou qualquer que seja a sua crença, por mais um momento de renovação e de ganho em sua vida. Sejam os ganhos de alguns quilos a mais, ou de uma calvície surpresa que começa a se desenhar, agradeçam, pois ninguém, além de você, tem a sensação de viver uma vida tão única quanto a sua própria.

Aprendi com alguns aniversários, que a vida precisa ter seus momentos de reflexão, nesta ocasião. Precisamos fazer um balanço daquilo que nos acontece, que nos cerca, e principalmente quem somos nós neste exato momento. Mais do que uma simbólica troca de dígitos, de mudanças na cores dos cabelos, fazer aniversário, é como reler um livro que lemos há muito tempo, porém, com outra perspectiva, de maior perspicácia, assim devemos esperar.

Fazer aniversário, nem sempre é fácil para alguns, e notoriamente gratificante para outros. Independentemente de qual for sua posição quanto aos aniversários, lembre-se sempre daqueles que gostariam de ter saúde, ou condições para comemorá-los, e infelizmente, não podem, pois o mundo não é igual para todos.

Basta saber, que em qualquer aniversário que seja, você está trocando de turno, renovando a bagagem com novas experiências, e deixando para trás, o que não é necessário. Como ouvi certa vez de um amigo :

– Cara, fazer aniversário é comemorar o seu ano novo particular !

Com a lembrança desta frase que ficou impressa na minha memória, vou ali tomar o meu café, pois acabei de fazer aniversário.

Anúncios

Da mediocridade e do medíocre

 Sinceramente, eu gostaria de ser capaz de sempre escrever sobre coisas boas, ‘pintar” sempre, um panorama de infinita prosperidade. Porém, por mais que eu tente ser o máximo otimista possível, me deparo com os elementos que dão nome ao texto.
 Buscando no dicionário on line, encontram-se as seguintes definições :
medíocre
me.dí.o.cre
adj (lat mediocre) 1 Médio ou mediano. 2 Meão. 3 Que está entre bom e mau. 4 Que está entre pequeno e grande. 5 Ordinário, sofrível, vulgar. sm 1 Aquele que tem pouco talento, pouco espírito, pouco merecimento. 2 Aquilo que tem pouco valor.
mediocridade
sf (lat mediocritate) 1 Estado ou qualidade de medíocre. 2 Poucos haveres, mas suficientes; mediania. 3 Falta de mérito, vulgaridade. 4 Pessoa ou coisa medíocre.
 E é justamente baseado em tais definições, que dou vazão ao meu texto.
 Partindo das recentes notícias sobre as perdas de figuras públicas de relevância e reconhecimento, digo que :
– Hugo Chávez fará falta. Fará muita falta, pois era um ser icônico, adverso, contraditório, e por isso mesmo, querido. Não no termo propriamente dito, mas porquê é necessário alguém para contrabalancear nossas ideias, nossos argumentos. É necessário alguém, que nos desafie a estarmos em sua presença, dado repúdio que sentimos por partilharmos o mesmo ambiente, e, que ainda assim, sentimos um inexplicável vazio em sua ausência. Pois pior que encontrar um desafeto, às vezes é não poder encontrá-lo naquela certeza de que o faríamos.
 Medíocre, foi a forma com que a morte do hóspede indesejável por muitos, foi indevidamente tratada pelos veículos de comunicação, tratando o fato, como mais uma notícia corriqueira, de plantão da tarde, de 5 minutos na edição nacional, sem maiores preocupações.
 A mediocridade ocorreu, ao noticiarem com maior ênfase, que seu vice, parece com o professor Girafáles, do outro Chaves conhecido. É trágico saber, que naquele assento, indevidamente reservado na ONU, não teremos nenhum outro presidente tão coronelista, com verves de Odorico Paraguaçú, e ainda assim, tão odiosamente querido e amado por seu povo.
 Em pleno século 21, era onde as atuações gerações já nascem publicando, curtindo, ou compartilhando suas chegadas ao mundo, ainda somos tratados de maneira medíocre pelos veículos de massa, querendo nos tornar produtos de uma mediocridade sem igual, fabricada pelos # e likes.
 Falta identidade por inúmeras vezes aos mesmos veículos, que só conseguem agigantar-se para atacar aos poucos que se discordam ou opinam com divergências sobre os fatos noticiados, e não, sobre o foco objetivo de seu material a ser veiculado.
 Um fato muito interessante, e que me faz refletir sobre tal tema, é que outra tragédia serviu para minimizar a cobertura da morte de Chávez, foi a perda do cantor “Chorão”. Sem dúvida, lamentamos também, a perda do artista brasileiro, de reconhecido destaque nacional e internacional. No entanto, como pude constatar através de um ‘meme” exposto na rede, a seguinte notícia, dada por Chávez ; ” Eu também morri, caramba ! ” , a situação é gritante.
 Naquele momento, eu ri, não por achar engraçada a morte de ninguém, porque não é, mas porquê o riso, é obra da engenhosa psicologia humana, que ao ser provocada com qualquer elemento que evoque a fuga aos padrões naturais, desencadeia o riso, que nada mais é, que uma forma de reprovação a alguma situação em destaque.
 Não seja você, mais um medíocre, que será guiado pelos livros de história daqui há alguns anos, tendo como referência, que a Amazônia pertence aos outros, ou que no dia em que morreu-se um, outro é que será lembrado. Cada qual tem sua importância e influência, devendo-se sempre, ressaltar qual o papel que cada um desempenhou e exerceu na vida.
 Como todo bom medíocre, vou ligar a TV para assistir ao reality, para saber em quem voto esta semana, sem achar mediocridade ao saber no intervalo, que posso adquirir os produtos do mesmo, para me sentir dentro da casa mais bem vigiada do Brasil.
 Deixe-me parar e relaxar, pois é hora do café.

Poca, cinquepoca

E foi mais ou menos assim que aconteceu.

Como se fosse uma missão secreta, a mensagem chegou.

– E aí; você está dentro ? – dizia a voz masculina, sem um rosto visível do outro lado da tela

– Qual é a missão ? – eu perguntei

– Estou reunindo um seleto grupo de indivíduos com conhecimentos únicos. Cada qual, irá atuar em sua área específica. Não posso por tudo a perder. – pelo seu timbre, diria que homem estava na faixa dos trinta

– E por que eu fui escolhido ? – indaguei novamente, incrédulo de que aquilo estivesse acontecendo comigo

– Porque assim como os demais, seu talento favorece os propósitos de nossa organização. – disse o homem sem rosto, completando em seguida – Nada posso oferecer, a não ser, a experiência de enfrentar o desconhecido, sempre com um horário fixo.

– Horário fixo ? Que horário é esse ?

– Às cinquepoca. Espero por sua resposta o mais breve possível. Câmbio e desligo.

Nem bem tive tempo de perguntar onde e quando nos reuniríamos, pois o monitor apagou-se logo em seguida. Porém, a pergunta ficaria em meus pensamentos, constantemente, aonde quer que eu fosse, ela estava lá. No ponto de ônibus, na quadra do basquete, a caminho do trabalho, na janela de casa, nas vitrines das lojas. Tornou-se quase uma paranoia a corrosão causada por aquela pergunta : quando e onde nos reuniríamos ?

Já exausto de tanto buscar uma resposta para a questão, lembrei-me do que me fora dito anteriormente :

– Às cinquepoca .

Claro !!! Estivera todo este tempo, debaixo do meu nariz a resposta para a pergunta. E foi então, que neste momento de elucidação, que o monitor novamente acendeu, e a voz do homem sem rosto fez-se ressoar :

– Parabéns ! Você passou no teste ! Agora puxe uma cadeira e sente-se, que o café será servido. (Ao fundo, toca Live and let die.)

E foi assim, que entrei para a organização. Com a dura tarefa de fazer com que os leitores sintam-se como eu, parte de algo importante e maior, algo que não sabemos como e onde ocorre, algo secreto e reservado, mas que tem sempre um horário certo para acontecer. Sempre às cinquepoca.