De repente…

“De repente”, uma expressão que traz consigo um grande significado. Segundo o dicionário repente é: “Ação repentina, dito repentino e impensado. Qualquer improviso, ou verso improvisado. Subitamente, rapidamente, de supetão. “

A propósito quem aqui nessa Mesa nunca viveu um “de repente” em sua vida, seja ele bom ou ruim??

Nos livros de histórias, principalmente nos infantis, a frase “de repente” aparece frequentemente, e quando ela surge sempre nos congela, deixa nosso coração apertado na grande expectativa do que vai acontecer. Quando eu dava aula na Educação Infantil, eu deixava meus alunos mais curiosos ainda porque depois do “de repente” eu ainda falava algo como: “ Vocês não vão acreditar no que aconteceu, acho que nem vou contar o que aconteceu, vocês querem mesmo saber o que aconteceu” rs. Seus olhinhos brilhavam de curiosidade e ansiedade.

Nós vamos levando a vida fazendo nossos planos, nossos sonhos, achando que tudo pode, deve e vai acontecer perfeitamente como planejamos, mas infelizmente e felizmente a vida não é assim, tem sempre um “de repente” em nossas histórias pessoais. Tem gente um “de repente” na História da humanidade.

Quero compartilhar hoje no meu Café “ de repentes” que aconteceram na minha vida na segunda-feira dia 22 de julho. Pois, “ de repente” um amigo meu, Lucas Filipe, resolveu responder um Tweets do programa Roda Viva, da TV Cultura, para ser Twitteiro do programa por um dia. “De repente” ele me convidou para levá-lo até lá, e pediu para a produção se eu podia fazer parte da plateia. “De repente” estávamos nós lá na TV Cultura esperando o programa começar e uma moça da produção veio me pedir para ser a outra Twitteira do dia, pois o outro rapaz não ia. “De repente” estávamos nós no programa, que teve como entrevistado o Bispo Emérito Dom Angélico Sândalo Bernardino, que é um senhor super simpático, carismático e que acolheu muito bem a dupla de jovens Metodistas que seriam os Twitteiros da noite, citando até frases do nosso fundador John Wesley. Mas nossos “de repentes” não pararam por aí não, pedimos para o Paulo Caruso fazer uma caricatura nossa, e “de repente” no meio do programa nossa caricatura foi mostrada na TV.

Certamente nos meus sonhos mais loucos eu nunca tinha imaginado que viveria nada disso, contudo puder “de repente” experimentar tudo isso, e certamente vai ser mais uma daquelas histórias que contarei em muitas mesas de café, por muitos e muitos anos.

Assim quero com meu Café de hoje, dizer para você que está nessa mesa comigo prestar mais atenção nos “de repentes” que acontecem em sua vida, eles podem acontecer, sem sonharmos, sem esperarmos, contudo deixam nossa vida, na maioria das vezes, muito mais feliz.
Sejamos mais sensíveis aos “de repentes” diários!

Aproveito também para dedicar esse Café como forma de agradecimento ao Lucas Filipe, por me convidar, e de uma certa forma viabilizar, esses “de repentes” . Lucas hoje o Café é seu!!

Junior….

Tem histórias que nós jamais gostaríamos de contar, tem notícia que a gente nunca imaginou ler ou receber. E foi assim na minha vida na semana passada, recebi uma notícia que não queria ter recebido, a morte prematura do “meu amigo de fé, irmão camarada” Ari Junior, que pra mim, foi e será sempre apenas o Junior. Desde então estou com aquele sentimento bem expresso na letra da música do Ira! “Quando seus amigos, te surpreendem, deixando a vida de repente e não se quer acreditar…”

E foi nos indos de 1995 que nos conhecemos, num piquenique realizado pela Igreja Metodista de Itapecerica da Serra, num pesque e pague, ele era da Igreja Metodista em Taboão da Serra e apareceu lá convidado por amigos em comum, na hora da tradicional dinâmica de apresentação das pessoas ( que o povo cristão protestante conhece muito bem. ) foi que eu tive que apresentá-lo, e logo de cara errei o nome dele no momento de apresentação o chamando de Ariovaldo, e seu nome era Arivaldo, mal sabíamos nós que estaria nascendo ali uma amizade tão forte e profunda entre nós…

O Junior era dono de um sorriso quase permanente, único, calmo e com um coração servil como poucos, pra ela não tinha tempo ruim não, o lance dele é sempre estar em movimento, principalmente indo ao encontro das necessidades dos outros e trabalhando incansavelmente para o crescimento do Reino do Senhor. Tanto é que se olho para o meu guarda-roupa, lembro que foi ele que ajudou a montar quando me mudei de casa, se olho para meu computador, lembro que foi ele que consertou em algumas vezes que deu pif paf, se olho para meus pés vejo o Havaiana que ele me deu de presente de amigo secreto….

Dividi com o Junior várias mesas de café, almoço, jantar, aventuras da mais diversas, passeios, parceria em vários momentos na minha caminhada cristã, além de trabalhamos juntos por 5 anos da Federação Metodista de Jovens. Inúmeras boas histórias pra contar, desses 18 anos de amizade, tantas que caberiam num livro.

Resolvi escrever esse post de hoje em homenagem ao Junior principalmente porque não seria um texto de arrependimento por palavras não ditas, mas pela certeza que por detrás das nossas implicâncias em público, havia uma amizade carinhosa, amorosa e de troca de elogios mútua, ( sim a gente sempre fazia isso longe de todos pra manter a aparência de eternos implicantes. rs) além das atitudes que demonstravam o quando éramos um importante para o outro. E eu pude sentir isso mais profundamente ainda quando tive a honra de ser convidada para ser sua madrinha de casamento, em 2009. Aliais cabe aqui um agradecimento a Raquel, sua esposa, por ter cuidado tão bem do meu amigo e o ter feito tão feliz. Só que o grande chatão e fanfarrão do seu Junior foi-se embora sem ter me dado a honra de ser meu padrinho de casamento, até no fim ele tinha que aprontar das suas comigo. rs… Mas certamente meu futuro esposo, e meus filhos, que um dia virão, vão ouvir muitas histórias sobre o Junior.

Um pedacinho de mim morreu no dia 19 de março, assim como um pedacinho de todos nós sempre morre quando alguém querido se vai, mas um pedacinho do Junior sempre estará vivo nas minhas lembranças e nas minhas histórias…

Escrevo esse texto também pra você que está participando na mesa do nosso Café e que não teve a oportunidade de conhecer o Junior, mas que certamente também tem ou é um Junior na vida de alguém, aproveite ao máximo e com toda a intensidade possível sua amizade, pois nunca sabemos quando será a última vez que estaremos pela última vez do lado de uma pessoa… “ A vida é um sopro” e como diria aquela canção infantil: “É bom amigos a gente ter. É bom amigos a gente fazer. É bom amigos rever. É bom amigos reter. É bom amigos sempre ter.”

Outro dia eu falava aqui sobre gratidão, e hoje eu agradeço ao senhor pela vida do Junior e pelos nossos anos de amizade. Agradeço também os demais amigos que tenho, pois cada um a sua maneira puderam me consolar em meu momento de dor, seja com mensagens, telefonemas, abraços silenciosos ou uma simples ida a um café pra me distrair. Cada dia tenho mais certeza de que vocês fazem minha vida valer muito à pena!

Termino esse texto na certeza de que Deus continuará consolando nossos corações, bem como os da família do Junior e em especial o da Raquel.

Descanse em Paz Junior… até eu chegar aí no céu, pois passarei a eternidade inteira implicando com você! rs