Lava pés

Para cristãos de vários lugares do mundo essa semana celebramos a denominada Semana Santa. Como boa cristã protestante metodista e historiadora que sou não poderia deixar de tocar no assunto no meu Café. Já escrevi outros Café nessa Mesa sobre a Páscoa e sobre a morte de Jesus, por isso dessa vez vou me atentar a outro episódio que marca esse período o Lava pés. Me desculpem os não cristãos que sentam nessa Mesa comigo, mas hoje vou deixar o lado seguidora de Jesus mais explícito.
Para quem não sabe no lava pés Jesus após celebrar a primeira Ceia pega uma bacia com água e uma toalha e lava os pés de seus discípulos, demonstrando que Ele veio ao mundo servir e não ser servido e ainda faz o convite para que todos sigam seu exemplo. Logo, o lava pés está entre as ações de Jesus mais desafiadoras para seus seguidores, e quem não entendeu seu ato com toda a certeza não entendeu nadinha sobre uma das missões de Jesus aqui na terra, quebrar a lógica do mundo, do poder e se colocar como um servo e não como um Rei.
Difícil lidar com isso num mundo onde o povo só quer vitória, quer ser servido, é egoísta, esquece do oprimido, da humildade e aqui eu poderia listar tantas outras situações ou sentimentos que até mesmo dentro das igrejas cristãs tem prevalecido tanto no discurso quanto na prática.
A atitude do Jesus servo ainda é extremamente desafiadora para nós que o seguimos porque mexe com uma lógica totalmente inversa até do imaginário que criamos sobre Deus, ou sobre qualquer outro deus que é forte e vive em sua majestade e glória. E venhamos e convenhamos ninguém quer sair de sua zona de conforto e se importar em servir alguém. Na era das mídias sociais então que as falas não passam de palavras vãs diante da diversidade de problemas da vida, ninguém quer se dispor e de fato servir ao outro, servir o outro que não pode me dar nada em troca então, é loucura.
Mas o que o lava pés, a cruz e a ressurreição, bem como toda a vida de Jesus nos ensina é desafiar toda a lógica das relações humanas e viver o amor, aceitar o seu Evangelho, a sua Boa Nova é viver uma loucura. Logo meu amigo e minha amiga que senta comigo nessa Mesa hoje e é cristão e nunca parou de fato para refletir sobre isso está na hora de rever seus conceitos. O Evangelho de Jesus é contramão, é o que eu gosto de denominar é a revolução do amor. Assim me resta apenas dizer: bora lavar o pé de alguém.

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A corrupção nossa de cada dia….

Corrupção é o ato ou efeito de se corromper, oferecer algo para obter vantagem em negociata suspeita onde se favorece uma pessoa e se prejudica outra. É tirar vantagem do poder atribuído. “Corrupção” vem do latim corruptus, que significa “quebrado em pedaços”. O verbo “corromper” significa “tornar-se podre”. Logo, corrupção é aceitar e solicitar recursos financeiros para obter um determinado serviço público, retirada de multas ou em licitações favorecer determinada empresa. É também desviar verbas públicas, ou, seja, dinheiro destinado para um fim público e canalizar para as pessoas responsáveis pela obra.
No final da semana passada eu estava preparando uma aula especial sobre corrupção, e aí fiz uma breve pesquisa do significado da palavra corrupção e seus desdobramentos, além dos significados acimas citados me deparei com a frase do professor e jurista Simão Calil: “A corrupção social ou estatal é caracterizada pela incapacidade moral dos cidadãos de assumir compromissos voltados ao bem comum. Vale dizer, os cidadãos mostram-se incapazes de fazer coisas que não lhes traga uma gratificação pessoal.” É pessoal depois que li isso pensei, e repensei ainda mais a vida.
É claro que não quero aqui pagar de advogada do diabo, contudo, depois de leituras de livros, sites, da história e da própria vida é impossível não tomar pra mim minha parte de responsabilidade. Quem aqui que está sentado comigo nessa mesa hoje pode atirar a primeira pedra e dizer que nunca praticou um ato corrupto na vida?? Ou quem sabe ainda hoje mesmo?? Quem de nós pode se orgulhar e dizer eu não me tornei podre com nada, pensando no primeiro significado da palavra?? Que de nós é ético ao ponto de nunca ter levado a vida sem pensar no bem coletivo, mas sim no bem individual?? Dói pensar nisso né?? É mais fácil apontar o erro de outrém do que assumir minha responsabilidade de viver em sociedade e lutar para que cada dia mais ela se torne mais justa, mais amorosa, mais humana. Cheguei mesmo a pensar que na verdade nossos políticos são também reflexos do que vivemos aqui na plebe, dessa cultura do jeitinho, do fazer as coisa meia-boca, de levar tudo de qualquer jeito, do se contentar com pouco….
Enfim, meu Café de hoje não quis defender partido vermelho ou azul, e sim chamar a atenção do que eu e você podemos fazer diariamente nos mais diversos espaços em que estamos inseridos para tornar a vida coletiva melhor, melhor para todos, menos corrupta.

Marcas…

Dias corridos. Cotidiano. Milhões de pessoas vão em vem para os mais diversos lugares. No meio de tudo isso, eu e você encontramos pessoas, umas permanecem por mais tempo em nossas vidas, outras só vemos por um breve instante, contudo em todas elas podemos deixar marcas.
Marcas são sinais que imprimimos num objeto, como sinal de algo. Pensando nos relacionamentos humanos me indaguei que tipo de marca eu tenho deixado nas pessoas, o que eu tenho sinalizado com minhas falas, meus gestos e minhas ações. Pois muitas vezes fazemos as coisas de forma muito mecanizada e sequer nos damos conta de que o que fazemos marca a vida de quem está ao nosso redor ou daqueles que passam rapidamente por nós.
Também pensei que tipo de marcas as pessoas que passaram por mim me deixaram. Cheguei a conclusão, em ambos os casos, de que as marcas horas foram boas, positivas, e produziram crescimento, no entanto outras horas foram ruins, negativas, feriram e desconstruíram sonhos e esperanças. Percebi ainda que em alguns casos as marcas que causei ou que causaram em mim foram tão profundas que me instigaram a mudar. Mas muitas vezes eu nem havia contado para a pessoa que ela havia produzido em mim alguma marca. É bom agradecer os que nos marcam positivamente também.
No mundo da liquidez e da rapidez é importante não perder as marcas que provocamos direta e indiretamente em nossos relacionamentos diários. Tem marca que a gente faz com a intenção de marcar, tem outras que a gente nunca vai saber que provocou. Entretanto o fundamental, o ideal mesmo é construirmos marcas de amor, esperança, gratidão, ajuda, misericórdia, socorro, ensino, marcas que produzam vida em meio a tantas marcas de mortes que nos aparecem diariamente.
Por isso meu convite reflexivo desse Café de hoje vai com gosto de pergunta, que tipo de marca você tem deixado no mundo?  Que tipo de marca você quer deixar?

Ausência…

Na mais básica, lógica e obvia definição ausência é a falta da presença. Logo só sente a ausência quem um dia sentiu a doçura da presença. Ficamos os últimos sete meses ausente do compartilhar reflexivo de nosso Café das Cinquepoca, blog esse que formamos em fevereiro 2013 à partir da idéia de um amigo que queria se fazer presente na discussão dos mais diversos assuntos numa conversa entre amigos e amigas que não estão presentes numa mesa física.
Neste tempo de ausência de nossas publicações aqui dezenas de coisas aconteceram conosco que nos juntamos para preparar esse Café. A vida de cada um de nós mudou de alguma maneira. Dentre as nossas mudança podemos citar que o dono da Mesa Kadu Mattos mudou-se para São Paulo afim de fazer mestrado em Ciências da Religião, que o nosso rockstar Raphael Curioni terminou a faculdade de psicologia, e essa, a mocinha historiadora mais bonita do blog, que vos prepara o Café de hoje tornou-se professora de história numa escola estadual. Certamente estas nossas mudanças individuais trarão ainda mais novos olhares, reflexões, inspirações, indignações, esperanças para nossos Cafés, e esperamos ainda que em meio aos nossos novos e diferentes desafios pessoais não precisamos nos ausentar da Mesa às Cinquepoca em 2015.
Mas nesse Café que conta um pouco de nossas presença e ausências quero aproveitar para lhes trazer a reflexão do que ou de quem você sente ausência, se essa ausência pode ser transformada num reencontro, no envio de uma simples mensagem pelos mais diversos canais de comunicação de nossos tempos pós-modernos, do convite para um Café em casa, ou numa Cafeteria, numa viagem de milhas e milhas distantes, de horas a fio de estrada ou de vôo para o suprimento da ausência com a presença.
Porque afinal de contas grande parte das ausências que sentimos na vida pode ser resolvida com as ações que citei acima, a única, mais dolorosa e cruel ausência que podemos sentir é ausência provocada pela morte, pois essa a gente só vai conseguir sanar na eternidade no Céu, para quem acredita no Paraíso.
Assim, aproveite esse ainda início de 2015 para transformar suas muitas ausências de 2014 em presenças na vida de outrem, antes que cheguem dias nos quais essa ausência não poderá mais se tornar presença.

Porque não estou torcendo para a seleção brasileira nessa Copa

Hoje é dia de jogo do Brasil, e ele vai acontecer justamente na hora que nós da Mesa mais gostamos, às Cinquepoca. Você provavelmente já colocou seus trajes, adereços e acessórios verde, amarelo, azul e branco. Já resolveu onde vai ver o jogo, e escolheu a companhia de amig@s ou familiares. Eu brasileira como você, que gosta de futebol já escolhi partes disso, entretanto assim como os demais jogos da seleção brasileira nessa Copa eu resolvi torcer contra.
Nessa hora você já teve ter me chamado de maluca, antipatriota, que eu devo ter parte com os Back Bloc e etc. Contundo minha razão para este ano não torcer pela seleção canarinho é futebolística mesmo, ao meu ver já fazem anos que temos muitos bons talentos individuais, craques com C maiúsculos e aí resite uma das minhas primeiras inquietações, futebol é disputado em grupo, onde todos devem jogar por todos, tem que haver unidade de propósito, e isso está longe de acontecer em nossa equipe, porque se sinal de unidade for entrar em campo em fila indiana, eu tenho que rever meu conceito sobre relacionamentos humanos…
Meu segundo ponto é a falta de jogadores que jogam no Brasil. Eu acho muito, muito chato mesmo ver a seleção formada por jogadores que estão fora do País, me parece seleção de outra nação, não me identifico mesmo com esse grupo que eu não vejo semanalmente nos campeonatos estaduais e nacionais. Mas aí você vai dizer, ‘está doida Flávia, nossos melhores jogadores de tão bons que são jogam fora”, e aí a gente assina o atestado que nossos torneios de futebol nacionais são ruins porque não merecem ter as melhores estrelas em campo. E mais uma vez como em tantas outras a gente joga no lixo tudo que é nacional.
E nada, nada mesmo do que vejo há anos na seleção me convence que esses caras jogam com raça, falta muito amor a camisa, amor a nação, amor ao que eles representam para as 200 milhões de pessoas que enxergam no futebol uma de suas realizações pessoais. Ainda mais para quem é São-Paulina e criou seu padrão de raça baseado na carreira de Rogério Ceni, que pra mim não joga com as mãos ou com o pé e sim com o coração.
Bom aí você que é machista de plantão deve estar dizendo assim, “a Flávia é mulher não entende nada de futebol por isso escreve essas bobagens”. Aí eu te responderia que eu não passo vergonha quando falo sobre a regra do impedimento ou esquema tático não. Sei diferenciar um atacante de um zagueiro, de um lateral e um meio de campo, e sempre considerei medíocre quem acha que futebol é coisa só para homens. Quer esporte mais interessante para uma mulher apreciar do que ver 22 rapazes com belos físicos correndo durante 90 minutos? ( E sim eu já tive o sonho adolescente de querer casar com um jogador de futebol.). E justamento por ser mulher é que tenho a sensibilidade de dizer o que sinto com relação aos nossos boleiros, porque muito do que escrevi até aqui tem a ver com sentimento. Sentimento esse que cada vez mais tem abandonado nosso futebol, pois cada dia ele tem sido praticado e explorado em virtude de dinheiro, e quando isso acontece tudo perde a graça, deixa de ser espetáculo. Por isso eu torço contra a seleção brasileira esse ano, em nome de um futebol com muito mais emoção especialmente dentro de campo.

“Nós vamos sair a repartir nossa esperança…”

Estamos a 10 dias do final do primeiro semestre de 2014. Talvez o semestre não tenha sido exatamente como você planejou. Talvez ele tenha passado mais rápido que sua capacidade de poder contá-lo. Talvez o amor, a expectativa de encontrar o amor de sua vida ainda não se concretizou. Talvez o semestre na faculdade, na escola não tenha sido com as notas que você esperava. Talvez as greves, as manifestações populares não tenham alcançado o objetivo que você desejava. Talvez a Copa do Mundo no Brasil não está trazendo o avanço que você queria. Talvez a seleção que você escolheu torcer, além da brasileira, já esteja desclassificada. Talvez um ente querido tenha ido embora. Talvez a promoção no trabalho não tenha chegado, talvez sequer um trabalho você teve. Talvez, talvez, talvez…

Contudo ainda temos mais um semestre inteiro de 2014 para mudar isso ou ver o que tanto esperamos acontecer. Podemos e devemos levar em nossas bagagens para esse novo semestre histórias que foram muito boas, momentos que foram maravilhoso, o que foi além das nossas expectativas. Eu creio muito que os momentos ruins, as tristezas, as decepções fazem parte da vida, e nos servem de experiência para cada dia mais nos tornar pessoas melhores, como diria o trecho da canção do Jota Quest “ Melhores no amor, melhores na dor, melhores em tudo…”

E certamente a mola propulsora para vivermos dias melhores, situações melhores, um cotidiano melhor é a esperança. Que no meu caso, como boa cristã protestante metodista é baseado nos ensinamentos de Jesus, na esperança de que Ele está conosco nos ajudando a levar nossas cargas, na esperança de que um dia no porvir nossa vida será completa. Todavia se você que está sentado nessa Mesa hoje comigo firma sua esperança em outro tipo de crença continue firme em sua fé, nunca perdendo de vista a esperança, que de certa forma é uma das bases de muitas religiões. Uma vida desesperançada torna a vivência muito mais dura do que ela já é.

Assim, o convite que eu faço com meu Café de hoje é que entremos no segundo semestre repartindo nossa esperança, como sugere nosso título de hoje, que é baseado numa canção evangélica. Onde você estiver, em meio à situação que vier, faça da esperança sua companheira inseparável, leve-a consigo e distribua em todas as mesas de Café que estiver.

Pois se eles querem meu sangue… Terão o meu sangue!

Eu poderia no Café dessa semana falar sobre o vai ter Copa; sobre o não vai ter copa; das vaias que a elite brasileira deu na Dilma; das manifestações que pipocam em várias cidades brasileiras; da abertura da Copa; da ação abusiva da polícia; do Dia dos Namorados; da sexta-feira 13, contudo vou falar sobre algo mais prático, significativo, e que tem a ver com uma ajuda pontual que você pode fazer a alguém: doar sangue.

Hoje, dia 14 de junho é o Dia Mundial do Doador de Sangue, aí você deve estar pensando assim só a Flávia como uma historiadora que gosta de datas comemorativas para saber isso, mas eu também descobri totalmente por acaso ontem quando fui novamente doar sangue. Desde muito tempo eu queria ser doadora de sangue, passei muitos anos sem poder doar porque não tinha o peso mínimo necessário para isso. Passei outros tantos anos combinado datas com os mais diferentes friends para fazer ações coletivas, mais também não consegui. E foi só em março do ano passado que tive minha primeira experiência de doar sangue. E posso dizer que ela foi sensacionalmente incrível.

Todos nós gostamos de fazer os mais diversos discursos sobre mudar o mundo, mudar a política, mudar a realidade social, todavia isso fica muito no puro discurso que a gente faz nas mídias sociais e espera o máximo de curtidas e comentários possíveis. Doar sangue é uma atitude prática, demonstração de solidariedade, de misericórdia, de carinho, de afeto, de literalmente dar um pedaço de si ao próximo, e esse próximo que na maioria das vezes nós jamais saberemos quem é.

O convite que faço hoje no meu Café é para que você vença seu egoísmo, seu pseudo envolvimento político, seu medo da agulha, sua preguiça e procure o hemocentro mais próximo de sua casa para fazer sua doação, seja você do grupo do vai ter copa, do grupo do grupo não vai ter copa, do grupo daqueles que tem namorad@, do grupo dos solteiros, se é policial militar, sem é contra a polícia militar, se é militante do partido A, B ou C, se é militante apartidário, se é supersticioso ou se é religioso, o importante, o fundamentar é você investir seu tempo em doar seu sangue e assim contribuir para que uma vida seja curada.