Sou uma criança e não entendo nada!

Nunca pensei que pudesse começar uma frase assim, mas: “naquele tempo…” Ok. Não farei isso por princípio! Ficar velho só tem mesmo uma vantagem: esnobar os mais novos, se vangloriando do quanto as pessoas eram mais felizes e o mundo era melhor, no nosso tempo! Acho que nem faz tanto tempo assim…

Lembro que tínhamos clareza sobre o que era direita e esquerda na política: esta querendo a revolução; aquela, manter tudo mais ou menos como estava;  sabíamos citar os nomes dos jogadores dos nossos times de futebol, por pelo menos, uma temporada e assistíamos a programas mais engraçados, menos politicamente corretos e comprometidos.

Talvez pela crise econômica ou sei lá por que cargas d’água, não vivíamos num mundo tão marcado pelo consumismo.  Pra gente entender  melhor, o consumismo de hoje é mais ou menos, como o vício em drogas: quanto mais se tem, mais se quer e quanto mais se tem, mais se entra num abismo sem fundo!

Tínhamos uma educação que a gente sabia que funcionava, mais ou menos, porque os alunos podiam ser reprovados. Educar num mundo de valores consumistas é mais difícil. Até os professores precisam de resultados expressos em números. A educação ocidental tem 3 pilares básicos de ética: a cristã (amor), a judaica (lei, Moisés) e a grega (o saber). Quanto à lei, a gente sabe bem; não tem muito o que negociar: “Só mais 5 minutos pra levantar!” ou “Se chegar depois de meia noite, vai ter!” . Isso ainda funciona, razoavelmente bem.

O amor, bem ou mal, manifestamos.  A grande dificuldade, creio estar no conhecimento! Posso estar sendo pessimista, mas com o advento cibernético, toda a facilidade de tablets, ipods, notebooks, redes sociais, etc, não se lê mais os clássicos! Não se educa mais as crianças pra lerem aquelas historinhas que a moral ficava sempre clara: os maus são punidos pelo mal que praticam, os bons recebem recompensas por ser bons!

Falei em clássicos de literatura e contos ? Vamos baixar o nível: nem revistas em quadrinhos se vê mais com tanta freqüência! Até a Mônica e outros personagens, cresceram pra acompanhar a realidade de seus leitores, porque as crianças não têm interesse em algo que precisem virar a página com mais de um dedo!

Enfim, desabafos à parte, ao contrário do que muitos pedagogos podem pensar, não há tanto mal em educar crianças com essas historinhas que eu mencionei. Até mesmo as crianças sabem julgar e ponderar o óbvio: elas acham justa a punição dos maus e o final feliz dos bons lhes parece até bastante aceitável. O problema não são elas, crianças, somos nós, adultos que somos mal orientados e ensinamos tudo errado!

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Sobre consumismo e gratidão…

Reclamações, é isso que todos nós fazemos desde a hora em que acordamos até a hora em que vamos dormir. Reclamamos no café da manhã, no almoço e no jantar. Reclamamos do governo, do clima, da pobreza, do cabelo, da cor da casa do vizinho… Nunca estamos contentes com nada.

O sistema capitalista nos faz acreditar através do consumismo, que somos inferiores em todo o tempo e em todos os sentidos. Com suas propagandas, sempre muito bem produzidas, somos sempre convencidos a acreditar que não somos nada, e que só seremos alguém quando tivermos um determinado produto. Eles produzem necessidade e desejos que na maioria da vezes não existem.
Mas não adianta querer demonstrar resistência ao consumismo, só o fato de que eu e você estamos agora nesse exato momento em frente a um computador, ou a qualquer outra dessas tecnologias, que nos colocam em contato com a internet demonstram que somos consumidores. Para fugir e resistir ao máximo ao sistema só sendo um eremita, e olha lá ainda. Durante um tempo na minha vida tentei ideologicamente resistir a algumas coisas, foi em vão, no final não consegui! rs

Mas o que eu queria chamar atenção nesse texto não é sobre o consumismo exacerbado e sim a falta de gratidão que temos em nossos corações. Almejamos o que não temos e perdemos ótimas oportunidades de sermos gratas e gratos pelo o que temos. O convite que quero fazer nesse mesa de café de hoje é que sejamos sempre pessoas agradecidas pelo que temos, pela vida, pelas belezas que nos rodeiam, por uma árvore em nosso caminho, pelo colchão duro que embalou nosso sono, pela xícara de café fraco servida na casa de um parente, pelo tênis com um buraco na sola, pelo por do sol que podemos contemplar na praia, pela água fria da cachoeira, pela discussão em família, enfim por tudo, absolutamente tudo o que temos.

Eu como cristã metodista agradeço à Deus pelas coisas que Ele me deu, na certeza de que tudo vem dEle, contudo se você que está lendo o meu texto faz parte de outra religião, ou ainda é um sem religião, faço-lhe este convite: seja sempre grato pelo que tem, seja grato a quem for. O importante, e certamente o que vamos levar dessa vida, é a satisfação que podemos ter com o que temos.
Assim não há outra maneira de terminar esse texto que não seja com a frase:

Obrigada, obrigada Senhor!!