Voando baixo, bem baixo…

Para aqueles e aquelas que moram na cidade de São Paulo, ou na região metropolitana paulistana a polêmica da vez é a redução de velocidades na Marginais Tiete e Pinheiros. Só para situar você que não é do pedaço, as marginais são vias rápidas construídas literalmente as margens dos Rios Tiete e Pinheiros, que diga-se de passagem acabaram com as margens e o leito natural desses rios, contudo, esse é um papo para outra Mesa de Café. Tais vias foram criadas para ficar fora da cidade como uma alternativa para deixar o tráfego de trânsito mais rápido. As velocidades que eram de 90 Km (pista expressa) e 70 Km (pista local), diminuíram para 70 km,(expressa), 60 (central) km e 50 km ( local).
Quando vi toda a polêmica que nossa impressa “sempre tão imparcial” levantou sobre o assunto, como boa pessoa reflexiva e questionadora de esquerda, achei alguns exageros, principalmente pela falta de clareza na informação que esta medida é de caráter experimental. A propósito, aqui cabe uma valorização disso, leis no geral mudam de forma bem impactante nossa vida, nossos hábitos, costumes e rotinas, a ideia de criar um experimento prático antes de por de fato a lei em vigor é sempre muito inteligente, além de provocar uma profunda reflexão que a teoria em muitas oportunidades não dá conta da dinâmica prática da vida.

Mas voltando a minha reflexão sobre a velocidade da marginais, quando pude pela primeira vez dirigir nas condições da velocidade baixa percebi que definitivamente não é nada fácil diminuir tanto a velocidade assim. Confesso que ando sempre ali no limite da velocidade, gosto da aventura de dirigir rápido, e ainda que quisesse dizer que ando devagar as multas que já tomei por excesso de velocidade, inclusive nas marginais, me desmentiriam. É desafiador ver uma pista reta, livre e sequer conseguir trocar a quinta marcha. Manter os olhos fixos no 50 Km também é desafio, pois o velocímetro (do meu carro) marca a velocidade a cada 20 km, com números pares, o freio do carro tem que estar bom, e a atenção mais que redobrada.

Andar numa velocidade mais baixa, num mundo que tudo é feito para ser cada dia mais rápido, parece uma ironia muito grande, contudo, o passeio mais devagar na Marginal revelou alguns aspectos interessantes, como conseguir perceber quase que a harmonia dos carros andando num rápido prudente devagar, quase como um comboio coletivo, de pessoas que sequer vão ao mesmo lugar. É possível olhar melhor para os arredores e ver coisas que na alta velocidade passam bem desapercebidas, e certamente repensar a questão tempo, afinal, porquê temos que viver tudo o mais rápido possível? Porquê não aproveitar a vida de uma forma mais devagar? Por que a insistência de querer viver tudo da pressa?

Certamente, o governo municipal ao diminuir a velocidade estava pensando em outras demandas, tais como a diminuição de mortes no trânsito, e não essa reflexão um pouco mais profunda que eu tive. Mas por que não parar para pensar além dos que os olhos podem ver? Por que fazer a crítica pela crítica e não sair da caixinha, do lugar comum e pensar melhor sobre o cotidiano, sobre a vida? Por que não tornar a vida mais reflexiva e mais profunda? Por que sempre exaltar os aspectos negativos das coisas? Por que se cegar ao ponto de não conseguir enxergar os aspectos bons e positivos da vida em cidade?

Bora voar alto, mas bem alto mesmo em nossa imaginação e reflexão!

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Nem toda feiticeira é corcunda!

Hoje é dia das bruxas ? No Brasil ?  Eu deveria escrever sobre o Dia da Reforma, por razões óbvias, mas o tema já foi abordado! Então…Como diz um certo ditado por aí, eu não acredito em bruxas, mas que elas existem, existem e estão à solta!

Pequenos, nós aprendemos quem são as bruxas nos contos de fada: aquelas senhoras de idade avançada, de aparência pouco agradável e risada estridente que fazem maldades! São as noivas do Tinhoso! Pelo menos, era assim. Depois, veio uma onda de bruxas boazinhas e inclusive muito bonitas! Alguns seriados enlatados vieram trazendo essa moda de Halloween pro nosso país tropical.

Diz que a culpa é da globalização. Eu desconfio que seja mais culpa da pouca ou quase nula valorização que o povo brasileiro dá à sua própria cultura, história e folclore! Damos preferência a tudo que não é nosso.

Apesar de achar essas bruxinhas importadas das séries americanas muito bonitinhas e até bem interessantes, eu ainda prefiro a idéia de relacionar as bruxas com medo! Em dias de simulacro, prefiro o real, o exposto e transparente! Prefiro lidar com o óbvio, as bruxas senhorinhas que colocavam medo na gente! Inclusive, conheci uma! Inclusive na família!

Toda vez que vejo a maldade nas relações humanas, pessoas criando intrigas, separações, buscando interesses escusos; toda vez que percebo malícia de pessoas se aproveitando da inexperiência de outras, violência, corrupção e outros descasos com a vida, em geral, eu percebo que elas estão à solta!

Estão à solta e ora, veja, as séries americanas,danadinhas! Acertaram em cheio quando maquiaram as bruxas de boazinhas!  As nossas bruxas muitas vezes estão  disfarçadas de boas intenções, de amizade, gentileza e sorrisos simpáticos! São dissimuladas e se chegam com promessas, com tapinhas nas costas e boa vontade de ajudar! Não acredito nas bruxas, mas elas estão por aí, voando! Não demora muito, voltam a aparecer em horário nobre, oferecendo suas maçãs envenenadas! As bruxas dos contos de fada, que me perdoem! Aliás, coitadinhas! Viram inocentes ovelhinhas diante dos feiticeiros, bruxos e lobos que temos na nossa vida real!

Banho é muito bom!

Certamente uma das coisas mais legais que podemos fazer na vida é tomar banho. Eu amo tomar banho. O banho nos revigora, nos relaxa, é um dos melhores lugares do mundo para se refletir, afinal quem nunca teve uma ideia brilhante enquanto tomava banho? Ele também nos possibilita nossos quinze minutos de fama cantando o mais variado repertório tendo o rodo, o sabonete e o shampoo como plateia fiel. E sim devemos ser eternamente gratos aos índios, pois nosso hábito brasileiro de tomar banho todo dia, toda hora vem dos índios e não dos nossos colonizadores.

Mas estou dizendo tudo isso porque há uns dias atrás a bomba de água do prédio em que moro queimou, ficamos então um dia e meio sem uma gota de água. Aí dá-lhe banho de canequinha, para minha tristeza, e com isso minha rotina ficou meio alterada, pois eu tomo banho logo que saio da cama para acordar de verdade, e naquele dia isso não foi possível, entretanto com tudo isso algumas reflexões me vieram a mente. Fiquei a pensar nas pessoas nos quatro cantos desse país que ainda não possuem água encanada, pensei também em vários períodos da História da humanidade em que não havia nem eletricidade, tão pouco água encanada, e todos conseguiram sobreviver bem.

Pensei no quanto as coisas se tornam tão normais, naturais e banais em nosso cotidiano que não conseguimos valorizá-las. Agimos como se todos tivesse o mesmo acesso que facilidades de vida que temos. Me senti constrangida com minhas reclamações de ter que tomar banho um dia de canequinha, tem gente que vai passar a vida inteira sem saber o que é tomar um bom banho no chuveiro elétrico.

Pensei no quanto não sou grata pelas coisas que aparentemente são simples demais, mas que contudo fazem toda a diferença também. Pensei em que tipo de ação eu posso fazer para ajudar as pessoas que ainda não tem acesso a água encanada, rede de esgoto, energia elétrica em suas casas. Do quanto, por vivermos num país com uma larga fonte de água potável, eu vou desperdiçando água com qualquer porcaria.

Confesso que ainda não encontrei muitas soluções práticas para todas as minhas inquietações, mas sei que ao menos vou refletir mais sobre tudo isso.

E é esse convite que quero fazer com o meu Café de hoje, que possamos encontrar soluções para todas essas questões relacionadas aos nossos simples atos cotidianos da vida. O planeta, as futuras gerações e quem não tem acesso a tudo isso certamente irá nos agradecer.