As várias faces do universo feminino

No último domingo, 08 de março, celebramos mais um Dia Internacional do Mulher, e como sou a dama da Mesa e a historiadora de plantão é lugar comum nesta semana falar sobre o tema. Contudo vou tentar abordar a questão saindo do lugar comum. Neste dia procuramos sempre lembrar dos processos históricos que permitiram a nós mulheres a inserção no mercado de trabalho, nas eleições, e tantas outras coisas. Em contraponto a isso temos também a visão da mulher que cuida da casa, dos filhos, do esposo, e das que mesclam ambas as imagens. Todavia há em nós ainda uma outra característica, talvez muitas vezes esquecida ou explorada ou ainda por preconceito pouco falada que é a mulher apaixonada. Já reparou como a maioria absoluta dos romances são escritos por homens ainda nos nossos dias? Parece que no universo mercado de trabalho e maternal não cabe a mulher que ama seu parceiro. Que é absorvida pelo mais sublime dos sentimentos, que é, segundo a divisão grega de amor, o amor eros.
Como é bom estar apaixonada, amar e ser amada, viver do amor platônico, do amor idealizado, do amor realizado, do amor que nos é dado seja pelo príncipe, seja pelo pirata, ou ainda pelo bobo da corte, e porque não falar apenas do amor que busca o prazer. Nossos corpos são explorados das mais diversas formas em anúncios publicitários, contudo os dos homens ainda é protegido. Até nossas bonecas e bonecos infantis podem expor o corpo feminino com ele é, mas o masculino…. Observe a diferença de representação corpo real da Barbie e do Ken.
O direito de se apaixonar e descrever os desvaneio dessa paixão ainda nós é sutilmente podado, e as escritoras que ousam fazer isso recebem duras críticas inclusive de outras tantas mulheres. Podemos ser tantas coisas nessa sociedade pós-moderna contudo ainda não podemos ser apaixonadas, essa imagem ainda não pega bem, não combina com a visão imaculada de mãe. É claro que eu poderia aqui escrever linhas e mais linhas sobre isso mas certamente muitos e muitas que sentam nessa Mesa comigo toda as semanas ficariam escandalizados e diriam: “ Nossa como a Flávia anda depravada”. E por isso que trago à tona nessas poucas palavras do Café de hoje alguns elementos para nossa reflexão, ela só é um pontapé bem inicial mesmo para você pensar e repensar o direito de ser mulher que trabalha, que vota, que é mãe mas que também se apaixona e tem seus desejos. Que possamos a cada 08 de março rever práticas e aumentar nossos direitos plenos na sociedade.

Dizem que a mulher é o sexo frágil…

…mas que mentira absurda! Assim cantava Erasmo Carlos. Tudo bem, o resto da canção pode ser até bem machista, como era de se esperar natural na década em que esta música foi composta; mas só pelo fato de cantar exaltando a sabedoria e a força feminina; o amigo do Rei já ganhou uns bons pontinhos. E certamente, um cafuné em casa.

Pra nós, pobres e indefesos homens, é e sempre será muito difícil falar desses seres superiores sem parecer machistas ou sem cometer uma ou duas gafes politicamente incorretas. O jeito é desistir. Não tentar entender muito os mistérios dessas almas tão profundamente misteriosas e doces e simplesmente babar, admirar e elogiar o novo corte de cabelo quando ela chegar perguntando se você não notou algo diferente.

A verdade é que, foi-se o tempo em que os homens podiam garantir a soberania do lar arrastando a caça nos braços e se vangloriando por sermos os provedores familiares. Tempos em que confiávamos em nossa força e tínhamos aquelas certezas absolutas que cercavam a nossa macheza de empáfia e soberba! Bem que ainda tentamos, mais tarde, manter o status quo com nossos carrões no trânsito da cidade.

Hoje, as mulheres não só compram seus próprios carrões, como ainda dirigem, ao contrário das piadinhas, com muito mais destreza. Prova disso é: quem não sabe que os carros delas valem mais, justamente por estarem melhor conservados, na maioria dos casos de venda ?

E a nós, restou ficarmos meio apavorados e amedrontados feito meninos, com a força delas. Afinal, já disse outra canção, dessa vez do Leoni: “garotos, como eu, sempre tão espertos, perto de uma mulher, são só garotos”.

Parabéns a estas que nos levam sempre onde querem por mais este Dia Internacional da Mulher!

Tanto faz, é igual.

Datas comemorativas sempre geram muitas polêmicas. Tem aqueles que acham importante celebrar, tem outros tantos que acham que não, e horas de discussões se vão. E talvez uma das datas comemorativas mais polêmicas seja o Dia Internacional da Mulher. Reparou nas mais diversas manifestações sobre a data que você teve aí nas suas timelines das mídias sociais no último sábado?? rs. Como boa historiadora que sou eu gosto de datas comemorativas, contudo a celebração do Dia Internacional da Mulher revela que ainda há algo errado em nossa sociedade, pois se nós mulheres fossemos devidamente respeitadas a data já não se faria necessária.

Começamos sempre a fazer um discurso sobre o preconceito de gênero e coisa e tal, mas nos esquecemos que na maioria das vezes somos nós mesmas que fomentamos as diferenças. E eu nem preciso de muito esforço para pensar o quanto fazemos isso diariamente, pois ao mandarmos nossas filhas lavarem a louça, fazerem comida e cuidar da casa enquanto mandamos nossos filhos no máximo cuidar do quintal e levar o carro. Ou ainda quando damos carrinhos e bola para nossos filhos e bonecas para as nossas filhas. Pequenos atos, que na verdade acabam revelando a segregação nossa de cada dia.

A humanidade foi criando tanto mais tanto preconceito social de gênero que foi se perdendo um aspecto interessante disso, que são apenas os detalhes biológicos que nos fazem diferentes. Nós mulheres podemos fazer tudo que um homem faz, contudo um homem não é capaz de fazer apenas o que nós podemos fazer carregar dento do ventre nossa prole. O resto é tudo construção social. E como toda a construção social, isso pode ser mudado, e estamos fazendo isso desde muito tempo, já avançamos em muitos aspectos, contundo enquanto houver mulheres que apanham dos seus esposos, mulheres privadas de prazer, mulheres privadas do acesso a educação, ganhando menos e tantas outras coisas que eu poderia listar aqui ainda temos muito o que transformar.

Todavia o mundo perfeito não é aquele que nós mulheres podemos nos julgar melhores que os homens, isso não é igualdade. O mundo perfeito é aquele que homens e mulheres caminham juntos se completando mutuamente, numa dupla dependência. Onde os Cafés são um dia feito pelo homem e outro pela mulher. O dia que a humanidade chegar nesse patamar a vida vai ficar muito mais feliz.