A arte de viver da fé; só não se sabe, fé em quê…

Dia desses, li pelos jornais e pela internet, a inauguração do Ostentável “Templo de Salomão” na região do Brás, em São Paulo, com as ilustres presenças da honorável “presidentA” da república, Dilma que não parecia muito bolada, o governador de São Paulo, Geraldo “Picolé de chuchu” Alckmin, e mais outros notáveis políticos e autoridades públicas, além, é claro, o ilustre bispo Edir Macedo, ostentando além do templo, uma barba branca “profética”.

Se fora mencionar todas as coisas que me passaram pela cabeça vendo as poucas fotos do evento, entre elas, uma réplica da Arca da Aliança entrando no Templo no meio do espetáculo e a própria figura nefasta do dito bispo supra citado, não teria café que desse conta. Então, vou tentar ser sucinto e expor, minhas impressões ou delírios interpretativos de tais fotos. Acho que posso me dar o luxo de algumas elucubrações imaginativas, uma vez que não assisti ao show da fé em questão e mediante tamanha bizarrice.

Fiquei tentando entender, primeiramente, de onde saiu aquela barba do Macedo. Algumas pessoas me disseram que se trata de uma tentativa de se assemelhar ao Salomão do Templo. Como eu nem sabia que Salomão tinha barba, pois só o vi uma vez, na interpretação do Chapolin Colorado num episódio e de fato, ali ele estava de barba, achei estranho o bispo “beber” na mesma fonte que eu, em minha infância, mas ok…Seja como for, aí faria um certo sentido, porque o Silvio Santos mesmo, ao receber o convite para a tal inauguração, disse que só iria se pudesse ser o “Salomão”, porque não pode ter um templo de Salomão sem Salomão; então ele iria lá atender as pessoas e dar conselhos.

Bom, piadas prontas à parte, era mesmo de se imaginar que o grande desbravador ( na minha opinião) de todo o movimento neo pentecostal no Brasil, não ficaria por baixo vendo a proliferação de tantos Apóstolos, Patriarcas e outros nos arraias da fé. Ele tinha que dar o golpe final: quero ver agora quem se atreve a se considerar mais do que Salomão! Só se surgir um Jesus Cristo por aí, disposto a morrer na cruz e tudo! (Não to contando com o tal do Inri não, tá?)

No fim,  fui ver umas reportagens  a respeito das irregularidades das obras da construção do tal templo, alvarás, etc. Resultado: números tão exorbitantes quanto o próprio conceito em si de se construir uma réplica do Templo de Salomão, nas “medidas” que a Bíblia “afirma” terem sido as medidas do original. Mas essa questão, à luz da Teologia Bíblica já é assunto pra outro café.

 

Como minha fé sobreviveu à igreja

Embora algumas pessoas acreditem que eu mantenha um intenso ritmo de leituras, não sou um leitor tão ávido quanto gostaria de ser. Luto sempre contra uma indisciplina e dificuldade de concentração que durante toda a minha vida me desafiam diariamente. E em sendo um leitor comedido, sou ainda pior “releitor”. Explico: poucas foram às vezes em que consegui reler alguma obra literária, nessas poucas vezes raríssimas foram as que eu tive prazer.
 
Uma dessas raras exceções é um livro que, de vez em vez, sempre que me sinto fragilizado na fé, tomado por dúvidas ou sem motivação para seguir na jornada da vida, recorro a fim de encontrar nele algum consolo, alguma inspiração que me ajude refazer minhas forças e buscar energia e saúde espiritual para continuar em frente. Esse livro chama-se Alma Sobrevivente, do escritor estadunidense Philip Yancey.
 
É um livro simples, sem muita sofisticação em sua forma ou no conteúdo. Não obstante, isso não o compromete. Trata-se especificamente de um livro sobre a fé, uma obra cristã, de um autor com um conhecimento geral vasto, e que não trilha os caminhos do academicismo teológico que, por vezes inúmeras, apresenta-se profundamente distante das inquietações cotidianas e existencialmente essenciais de pessoas que, acima de tudo, desejam desenvolver sua vida espiritual com saúde e equilíbrio.
 
O livro é dirigido especialmente a um público que parece aumentar a cada dia, dos decepcionados com a religião – muitos, na verdade, frustrados em relação às instituições religiosas, mas que ainda aspiram, de alguma maneira, vivenciar sua fé. Assim, Yancey organizou alguns relatos a respeito de treze pessoas que, segundo ele, contribuíram com a sua jornada espiritual; mais que isso, ajudaram-no a não cometer um “suicídio institucional”, que resultaria no abandono definitivo da igreja – enquanto instituição e organização humanas.
 
Como em quase todos os escritos do jornalista e editor associado da Cristianity Today, as ideias estão permeadas do precioso conceito da graça cristã. Na verdade, cada personagem mencionado é desvestido pelo autor como um misto entre êxito e fracasso diante dos ideais cristãos. Alguns são pessoas que, pela leitura de suas obras ou relatos biográficos superficiais, chamaríamos de profetas ou santos. Mas que, contudo, não passaram de seres humanos como qualquer um de nós. Seres humanos que, apesar dos pesares, manifestaram em suas obras artísticas ou sua vivência cotidiana preciosas marcas do Evangelho.
 
Os dados biográficos são entremeados com relatos das próprias experiências pessoais de Yancey. Assim como retoma sempre o tema da graça ou do sofrimento humano, que lhe são intimamente caros; não se furtando em reescrever acerca dos abusos e decepções que sofreu em sua vivência religiosa na infância até o início da juventude, e o quanto isso gerou nele marcas indeléveis.
 
Aí está a riqueza do livro, o fato de que não esconde a realidade crua e nua – e por vezes triste – que teima em existir paralela à pregação do Evangelho de Jesus. Uma realidade que, embora parte profundamente presente na vida daqueles que se dizem cristãos, contraria significativamente os altos valores da fé professada por eles.
 
Suas exposições pessoais, junto das narrativas biográficas daqueles a quem ele chama de mentores, são um verdadeiro alento para aqueles que já sofreram com os exageros decorrentes do convívio religioso doentio, para aqueles que já se cansaram de tentar sustentar um padrão comportamental formatado por líderes persuasivos mas sem alcançar êxito, daqueles que, estando feridos e necessitados de consolo, não encontram nas comunidades de fé o refúgio acolhedor que deveria ser a marca dos que amam a Jesus.
 
Suas traumáticas experiências, a maneira como as assimilou e que lhe proporcionam hoje belos frutos também motivam e ajudam o leitor a encarar com serenidade suas próprias mazelas. Para encontrar a cura pessoal, faz-se necessário encarar a desconfortável porém inevitável realidade – muitas vezes desconsiderada, quando estamos tomados pela mágoa – de que a igreja é constituída por seres falhos, pecadores em busca de redenção, mas que muitas vezes cometem falhas ao tentar ministrar a outros sua fé e que, em sua busca por servir a Deus, não poucas vezes assumem posturas diametralmente inversas àquelas anunciadas pelo seu Senhor.
 
Talvez esse seja o grande desafio das pessoas que se assumem feridas pelas igrejas: trabalhar (tratar, aprender a administrar) suas experiências passadas a fim de não serem destruídos pela amargura gerada por lastimáveis lembranças. Das pessoas citadas por Yancey, nenhuma delas parece ter vivido sem qualquer conflito existencial ou sem qualquer inadequação à qual tiveram que se adequar ou, pelo menos, suportar. Alguns mais exitosos em sua caminhada espiritual, outros mais desajustados. No entanto, possuidores de biografias que muito têm a contribuir conosco. Martin Luther King, Gandhi, Henri Nouwen e G. K. Chesterton são algumas das personagens abordadas pelo escritor.
 
Para mim, o livro não apenas se tornou uma fonte à qual recorro em dias de tempestade e incerteza, mas também possui forte significado existencial. Recordo-me ainda hoje que, há aproximadamente dez anos, procurava alguma leitura que pudesse me ajudar em meus conflitos a respeito da igreja. Na verdade, eu acabara de começar a tomar consciência de certas coisas que outrora não notara. Desde regras que não faziam o menor sentido (“não pode isso, não pode aquilo!”), que não tinham qualquer relação verdadeira com a vida cristã, à manipulação dos membros para que os líderes alcançassem seus fins pessoais, também a hipocrisia mascarada, o moralismo perverso e mesquinho (que não gerava outra coisa senão mais hipocrisia) e a manutenção de um ambiente que favorecia o empobrecimento intelectual, a inexistência de consciência cidadã e que alimentava uma visão política de gueto, sustentada pela inventiva fundamentação que asseverava: “crente vota em crente!” – sem instigar as pessoas a um espírito crítico independente, maduro, que pudesse julgar os melhores candidatos por si mesmos.
 
Não gostaria que alguns pensassem, após esse texto, que culpo a religião por todos os meus vícios e defeitos. Isso não seria verdade, visto que tenho aprendido a assumir minha responsabilidade pessoal diante das situações às quais me submeti, discursos que aderi e coisas que fiz. Eu seria mesquinho se não assumisse que o moralismo religioso, que contribuiu para que pulsões e neuras me acompanhassem durante anos, teve como forte aliado nesse processo minha própria mente, com um perfil psíquico sujeito a determinados transtornos.
 
Enfim, para além das coisas que comentei, a leitura de Alma sobrevivente fora um dos eventos que viriam a contribuir para que eu começasse a escrever. Entretanto, a despeito de ter um perfil bastante reativo, sentia que não podia nem tinha (hoje sei) maturidade para agir a respeito das tensões que vivia diante da religião, porém não conseguia me calar absolutamente; e como não havia uma tribuna na qual pudesse discursar ou questionar livremente e sem censura sobre os temas que me incomodavam de modo torturante, resolvi escrever em um blog. A internet era um lugar livre, lá poderia “soltar” minhas indagações (o que fora um alívio) de modo mais tranquilo. Não obrigava nem saía anunciando às pessoas o que pensavam, mas deixava tudo disponível na internet pra quem quer que se interessasse. Não havia ainda nem imaginado criar o blog Visão Integral, mas os primeiros escritos em outro sítio dariam origem ao espaço no qual escrevo hoje e que já está na ativa (ainda que com muitos altos e baixos) há quase sete anos.
 
O primeiro texto que escrevi, ainda com maior sofrimento que hoje, e bem pior do que aqueles que hoje escrevo (que ainda são custosos a sair), fora uma indicação do livro sobre o qual converso agora. Ou seja, é a segunda vez que, de forma escrita, recomendo tal obra e manifesto a importância que tem em minha vida. Há outras também muito importantes e às quais, “milagrosamente”, recorro para releituras, porém esta possui maior significado entre todas, motivou-me à prática que há muito me tem dado imenso prazer além de contribuir com meu próprio crescimento espiritual, a escrita.
 
Tamanho é o valor desse ato para mim que, a fim de descrever sua importância para meu bem-estar interior, teria que me prolongar ainda mais, e isso deixaria esse texto mais extenso e cansativo do que o desejado. De modo que deixo esse tema para outra conversa escrita.
 
Finalizando, até para que não percamos o rumo da prosa, fica então a sugestão desse precioso trabalho, pelo qual nutro imenso carinho: Alma Sobrevivente, que possui como subtítulo na publicação em português da Editora Mundo Cristão a frase “Sou cristão apesar da igreja”, mas que no original  em inglês   ostenta, a meu ver, maior ousadia e provocação, afirmando “Como minha fé sobreviveu à igreja”. Espero que gostem da leitura, que seja edificante. Entretanto, mais do que sugerir um livro exato, recomendo a prática da leitura como um caminho estreito que conduz a infinitas descobertas, a busca pela convivência pessoal com mentores e conselheiros reconhecidamente sábios, a comunhão com companheiros de fé, a atenção e o investimento disciplinado na jornada de crescimento espiritual.

Incertezas…

Incerteza. Certamente essa é uma palavra que ao menos uma vez por dia faz parte do nosso vocabulário. Nesse final de semestre então, ela é uma fiel companheira. Afinal de contas esse é o tempo onde paramos, ou deviríamos parar, para refletir, fazer um balanço do primeiro semestre, analisar o que tínhamos programado para fazer esse ano e ainda não aconteceu. Nesse momento de reflexão e planejamento do segundo semestre, nós ficamos com a incerteza bem latente em nossas vidas. Pensando sobre este tempo de manifestações quem de nós, apesar de ter um grande sonho em relação a isso, sentiu a incerteza do que realmente novo, melhor e diferente virá para nosso País.

O antônimo de incerteza é a certeza, mais aí a Bíblia nos diz que a fé é a certeza das coisas que não se veem, e a convicção de fatos que se esperam, logo pra mim, o contrário da incerteza não é a certeza, e sim a fé. E já diria Gilberto que “Andá com fé eu vou. Que a fé não costuma faiá…” ou ainda mais recentemente a nova música do O Rappa num trecho bem bonito diz “Pra quem tem fé, a vida nunca tem fim. Não tem fim. Éh! Se você não aceitou o conselho, te respeito Resolveu seguir ir atrás, cara e coragem. Só que você sai em desvantagem se você não tem fé, se você não tem fé” É a fé que nos ajuda a vencer nossas incertezas, nos fortaleça em meio a nossa caminhada.

Certamente, você que está lendo esse Café, assim como eu já tem sua lista de incertezas para o segundo semestre, contundo o convite que eu nos faço, sim eu me incluo nessa necessidade, é para que possamos entrar nele com fé, pois Deus tem cuidado de nós, e continuará indo a nossa frente, mesmo em meio a nossas incertezas diárias. Pois quem anda com fé, mesmo em meio as incertezas já está em vantagem.

Encerro meu Café de hoje com a fé de que Deus tem cuidado de nós, e que a incerteza de hoje, será a boa história que contaremos amanhã, numa mesa de café com amigos, os encorajando a vencer com fé suas incertezas também.

Cá ? Fé!

Boa parte dos nossos problemas podem ser resolvidos, senão, pelo menos, amenizados com uma boa dose dessas duas coisas : fé e café! Não é em vão o nome e a motivação desse blog , girar em torno dessa bebida quente e pretinha! O bom é chamar carinhosamente o café de pretinho sem medo de ser feliz ou processado, porque ele sabe que é um apelido muito carinhoso!

Quando eu era pequeno, lembro que dava dores de cabeça em casa porque só queria tomar café puro antes de ir pra escola. Leite não era comigo! Depois de um tempo, comecei a só querer tomar achocolatado e fiquei “de mal” do café por uns anos, mas fizemos as pazes por conta da fé! Participando de palestras, seminários e reuniões que muitas vezes tomavam dias inteiros na Igreja, acabei revisitando o carinho por esse velho amigo que me ajudava a não cochilar.

A fé me ajuda a resolver outros problemas, afinal, a fé não costuma “faiá”, todo mundo sabe. Assim como também sabemos que “mesmo a quem não tem fé, a fé costuma acompanhar, pelo sim, pelo não”. O café me ajuda a vencer o sono, a fé me ajuda a vencer o medo e as preocupações. Observando o ibope que a fé tem dado pra algumas pessoas nas mídias sociais, na tv e no campo político do nosso país (que comemorou mais um ano de sua agonizante vida essa semana, diga-se de passagem), eu entendo que algumas pessoas precisam tomar mais café!

Não é meu campo de atuação e nem meu assunto preferido, mas, tem horas que a gente precisa se posicionar! Vendo alguns pastores se envolvendo em assuntos polêmicos por aí, por conta das posturas que assumem publicamente e outros, se envolvendo na política e causando desconforto para boa parte daqueles que eles supostamente afirmam representar, de vez em quando, sou perguntado por amigos: E você ? O que você acha disso?

Sinceramente, como cristão e como pastor, acho que lugar de pastor é na Igreja cuidando do seu rebanho. Pelo menos, eu, se pensasse em me candidatar (e NÃO! Eu NÃO penso nisso!), abriria mão, como me é orientado pelas autoridades a que estou submetido, do meu trabalho pastoral e tentaria a vida (pública) sem fazer uso desse “título pastoral” para arrebanhar votos.

Muitas são as lideranças cristãs que creem que a Igreja precisa de uma bancada evangélica que a represente e a defenda no meio do poder legislativo e executivo. Sou obrigado a concordar com o Reverendo Ariovaldo Ramos, pastor e teólogo presbiteriano, se não me falha a memória, quando ele afirma: a Igreja é de Cristo, não precisa de ninguém que a defenda, quem defende a Igreja é Cristo! De fato, nós precisamos de pessoas cristãs de verdade, que sigam os mandamentos bíblicos, em todos os ramos da sociedade, dando seus testemunhos cristãos onde estiverem.

Na simplicidade do pastor Ariovaldo: a Igreja é profeta e profeta não vai em festa de rei! Cooperamos com o Estado, denunciando a corrupção, lutando em favor da Justiça, mas não temos relacionamento com a política. Membros das comunidades podem exercer atividade político-partidária, mas não devem fazê-lo em nome da Igreja. Devem se comportar e agir lá, como fariam em qualquer outro lugar: como cristãos e não fazendo isso, devem ser disciplinados por não agirem como cristãos, pela Igreja. Qualquer cristão que se sinta vocacionado à política partidária, pode se filiar a um partido e ir buscar seus votos convencendo as pessoas (cristãs ou não) de que ele é uma boa opção de voto e não fazer da Igreja seu curral eleitoral, achando que a Igreja é obrigada a votar nele por ser “irmão”.

Quanto às opiniões desses líderes em evidência por aí, cujos nomes não preciso mencionar, acredito que ninguém pode ser condenado por sua opinião. Eles poderiam estar se ocupando de coisas mais dignas de suas vocações pastorais, mas essa é a MINHA opinião.

Aqui, corroboro a afirmativa do conhecido e respeitado jornalista Alexandre Garcia: “Não podemos condenar uma pessoa por uma opinião. As pessoas são julgadas e condenadas por suas atitudes, quando as mesmas infringem um direito ou uma lei; não por sua opinião, afinal, a expressão é um direito que todos podem fazer uso com liberdade”. Pelo menos, é o que dizem! Se esse direito de liberdade de expressão é usado de forma inteligente e sábia, aí já é outro assunto, pra outra publicação. Questão de opinião!

Agora, a minha opinião ainda é a mesma: precisamos de mais fé! E mais café!