A felicidade é como uma gota de orvalho numa pétala de flor…

Dia desses, vi uma personagem conhecida do público brasileiro respondendo sobre esta pergunta terrível: “Você é feliz?” E a resposta dela inspirou este que vos fala a discutir um pouco sobre esse tema talvez até numa perspectiva não apenas de opinião, mas também à luz de alguns princípios bíblico-teológicos, uma vez que esta é a formação que possuo para fazê-lo.

Vamos começar pela opinião, então. De fato, esta é uma das perguntas mais cruéis e difíceis de ser respondidas da qual o mundo já teve notícia. Primeiro porque tanta subjetividade cria cada encruzilhada que se o interlocutor tiver a oportunidade ou a curiosidade de sair perguntando isso por aí; em cada esquina que parar vai encontrar dezenas de milhares de respostas diferentes. Nesse acordo acho que dá pra chegar: felicidade não tem essência, logo, precisa ser relativizada. Para alguns poetas, a felicidade nada mais é do que ter uma casinha de varanda, um quintal e uma janela para ver o sol nascer.

Para outros, felicidade é impossível; outros ainda, nem existe. Para a entrevistada mencionada no início dessa conversa; ser feliz é algo subjetivo e o que se pode, com toda sinceridade, é conseguir ter momentos de enorme alegria alternados com outros de profunda depressão e tristeza e tentativas de enfrentamento de problemas, como acontece com a  maioria, se não, todos os mortais.

Falando sobre a promessa feita de uma perspectiva bíblico-teológica, definitivamente, felicidade não existe. Calma! Não quero tirar o doce da boca de ninguém nem causar polêmicas. Mas o conceito felicidade como se tem em mente ao assistir a um comercial de manteiga em que uma família nuclear está sorridente, de manhã cedo, tomando café com seus filhos e cachorros; esse conceito ocidental e comercial de felicidade não existe para a Bíblia.

Aliás, muita coisa precisaria ser discutida nesse comercial de manteiga: a felicidade a despeito de acordar cedo,  o conceito de família nuclear, dar pão com manteiga pro cachorro, etc, etc, etc.  Isso fica pra outra hora.

A questão é: esses conceitos subjetivos tipicamente ocidentais e vindos do pensamento filosófico grego não cabem na mente semita que desenvolveu os textos bíblicos. A bíblia apresenta conceitos como “SHALOM” que representa plenitude de paz, prosperidade e que envolvem o que os profetas bíblicos chamam de “Amar o bem, praticar a justiça e andar retamente com o teu Deus” (Livro do profeta Miqueias, capítulo 6, verso 8).

Ou ainda, no Salmo 1, quando o poeta canta sobre o que é ser bem aventurado, talvez a gente possa forçar a barra e traduzir esse “bem aventurado” por feliz. Ele afirma que: “Bem-aventurado(feliz) o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores.
Antes tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite”.
(Salmos 1:1,2).

No fim, ambos os caminhos para a felicidade implicam em coisas muito diferentes do que entendemos no ocidente e o mais interessante: o caminho da felicidade para a Bíblia, passa pelo bem estar do próximo e tem uma forte ênfase comunitária e social. Traduzindo: você pode até ser feliz, desde que não seja egoísta.

Isso quer dizer que, se você quer buscar a plena felicidade, a idéia de final feliz que os filmes de Hollywood ou as novelas injetaram na sua cabeça como uma verdadeira “lavagem cerebral”, tudo bem. Só não tente usar a Bíblia ou Deus para alimentar isso. Nesse caso, continue com os contos de fada mesmo e dê-se por satisfeito. (Ou feliz!)

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Além do horizonte está a felicidade??

Na última sexta-feira dia dois de maio foi ao ar o último episódio da novela “Além do Horizonte”. A novela recebeu muitas críticas, pelo formato diferente, eu sempre considerei, mesmo não sendo uma especialista na área mais de certa forma uma telespectadora fiel das novelas da sete em geral, que “Além do Horizonte” tinha um aspecto de série e não de novela. Contudo, não quero falar da novela em si aqui e sim da reflexão toda sobre felicidade que a novela trouxe. O enredo girava em torno de uma comunidade isolada no meio do Amazonas, composta de pessoas que buscavam a felicidade e das investidas dos líderes dessa comunidade na criação da máquina da felicidade. Quem entrava na máquina saia feliz da vida e com cara de bobo, pessoas dóceis e fáceis de dominar.

E todos os capítulos eu me perguntava mais é aí o que é a felicidade, será que ela está além do horizonte,mas o além do horizonte não existe, será que a felicidade também não?
Na verdade a maioria das vezes nós seres humanos temos por hábito colocar a felicidade onde não estamos, afinal, quem nunca ouvi, ou de repente até falou “Vou ser feliz quando tiver um bom emprego”,“Vou ser feliz quando tiver a minha casa própria”, “Vou ser feliz quando terminar a faculdade”, “Vou ser feliz quando casar”. Parece que a felicidade não pode acontecer no aqui, no agora, no local onde se está.

E esse deve ser o desafio nosso de cada dia buscar a felicidade no lugar e no tempo que estamos, nas coisas pequenas do cotidiano, ser feliz é tão simples. E muitas vezes a felicidade está à distância de uma janela, observando o céu, as flores, o canto dos passarinhos, numa Mesa de Café entre amigos, no sorriso de um desconhecido na rua, nas palavras desajeitadas de uma criança. Eu poderia escrever páginas e páginas aqui sobre coisas que nos trazem felicidade diariamente.

Meu Café de hoje vai com esse gosto de felicidade, felicidade por poder sentar todas as sextas-feiras ás cinquepoca e compartilhar minhas inquietações da vida com vocês, felicidade por poder tomar um bom café, felicidade por ter diferentes amigos e amigas que agregam valor na minha vida, etc. e etc.

Assim, depois de minhas meias dúzias de palavras me resta uma pergunta: você já fez sua lista de felicidade no cotidiano ou vai continuar buscando-a além do horizonte??

Dói ter que dizer: “Era”.

Bem, eu nem sei bem do que se trata,mas vi essa frase do título de hoje, sendo citada com uma referência a “Querido John”…talvez seja um livro ou filme, anyway, eu não sei mesmo do que se trata, só sei que ler isto mexeu comigo e me fez pensar em todas as coisas que eu já tive, de algum jeito, dizer que “era” ou que foram. Acho que pior ainda é pensar nas coisas que eu teria que dizer : “Como seriam, se fossem”.

Só pra efeito de informação, procurei saber e descobri que a referência se trata de um filme (“Querido John”); sem entrar em muitos detalhes; não sou mesmo o maior fã de cinema, apesar de meu primeiro texto aqui, ser a esse respeito. Bom, voltando ao assunto…

Vivemos nossas histórias de vida, oscilando entre os corajosos que vivem suas histórias, os sortudos que são bem sucedidos e felizes sempre (me belisquem!); aqueles que tentam e não conseguem ou não são felizes e continuam tentando e os que nem sequer tentam e imaginam finais felizes e respostas certas pras brigas, duas horas depois, enquanto tomam banho…Deixe-me dizer duas coisas sobre essas categorias que eu mencionei acima: primeira coisa, a categoria de bem sucedidos e felizes sempre não existe. É só uma utopia que alguns filmes que você assistiu na adolescência te fazem acreditar que são reais, mas não são( Viu porque eu não gosto de filmes?).  Segunda coisa, todos nós, em determinado momento de nossas vidas, ficamos imaginando no banho uma resposta melhor pra dar naquela recriação imaginária do momento que fazemos quando pensamos sobre ele.

E eu já ia me esquecendo de uma outra categoria: os que vivem e se dando bem ou mal no fim, ficam com as lembranças e as memórias, porque, de fato, chega um ponto da vida que é mesmo só isso que resta!

E aí que está o segredo! Dizer “era” pode mesmo doer! Mas a dor que sentiremos dependerá do fator fundamental: será uma dor por uma saudade boa de algo que vivemos intensamente e com prazer ou a dor da frustração de deixar passar oportunidades que nunca mais voltarão?  Porque, de fato, se o “era” foi bem vivido, a dor vem acompanhada de alegria e satisfação por uma boa memória, uma boa história pra contar e uma boa conversa numa mesa de café!

Sabe de uma coisa? Não deixe os seus “era” doerem por coisas que deixou de fazer ou por saudades que sentiu de coisas que nem mesmo viveu! Lembre do seu “era” com um sorriso de canto de boca, satisfeito, meio discreto e até um pouco sem graça, como quem se desculpa por ser feliz!

Café com gosto de aniversário.

Na última sexta-feira, dia 04 de outubro completei mais um ano de vida. E época de aniversário é sempre um tempo especial que nós aproveitamos para refletir sobre nossa vida, creio que tudo mundo deve fazer isso. Começa o balanço dos sonhos que já foram alcançados, a renovação da esperança dos que ainda está por vir. É também tempo de crise, tempo de perceber que os anos estão passando mais rápido que minha capacidade de poder contá-los.

Nesse último ano passei por mudanças significativas em minha vida, coisas bem felizes aconteceram, coisa tristes também. Amigos que se foram, amigos que chegaram e parecem que sempre fizeram parte de minha existência. Outros tantos permanecem ali sempre fiéis ainda que distantes fisicamente.

Eu acredito muito que a idade de uma pessoa está relacionada não apenas na quantidade de anos que ela vive, e sim na intensidade de experiências vividas. E nesse quesito como eu tenho boas histórias para contar. Aliais está aí uma das coisas que eu mais gosto de fazer na vida, contar Histórias.

Ao refletir sobre esse ano de vida pude perceber quantos sonhos foram realizados, sonhos que sequer eu considerava possível de acontecer num prazo inferior de cinco anos. Deus sempre nos leva além do que podemos imaginar. E como Ele tem me levado.

Mas certamente uma frase que tem motivado minha existência, desde os tempos de adolescência, foi a de um poema de Manuel Bandeira. No poema “Pneumotórax” um verso sempre me marcou: “ A vida que podia ter sido e não foi”. Desde então tenho pensado em viver a intensidade que vida pode me dar, em cada instante, em cada momento, para não chegar aos 82 anos como Bandeira e perceber que a vida simplesmente não foi. É claro que no poema ele está falando sobre os problemas pulmonares que teve, e que de certa forma foram diminuindo sua expectativa de vida, ao ponto de impedi-lo de fazer um monte de coisas por causa da frágil saúde. Contudo a frase me marca na essência da minha existência. O que tenho feito da minha vida?

E com certeza um dos meus maiores medos na vida sempre foi o de chegar na velhice e perceber que nada na vida fez sentindo. E motivada por isso é que passei a contar a vida pela intensidade de emoções, tirando de cada experiência uma coisa boa, fazendo uma reflexão do que poderia ter sido melhor, e melhorar ainda mais da próxima vez. E assim tenho seguido meus dias muito mais feliz. Pois com toda a certeza nós vivemos muito melhor quanto conseguimos enxergar a beleza da vida nas pequenas coisas, nos detalhes do cotidiano. A vida é muito simples, é a gente que via lá e gosta de complicar tudo.

Assim entro no meu novo ano de vida, ainda mais feliz, sabendo que as mesas de Café sempre estarão ali me lembrando que não existe tempo melhor para se gastar do que aquele vivido na companhia dos outros, compartilhando boas histórias.

Não sou feliz, mas tenho marido!

Esse é o título da obra de uma autora argentina chamada Viviana Gómez Thorpe, que deu origem à peça de mesmo nome que ficou em cartaz por alguns anos em Rio e São Paulo, em que a personagem principal (Viviana) narrava a sua infelicidade conjugal e as frustrações de sua vida e a comparava com a vida de amigas solteiras, se vangloriando por estar casada.

O título da obra, bem como a peça, nos fazem parar numa reflexão bastante interessante para todos, do ponto de vista feminista ou não, mas que de qualquer forma, é válida: é impossível ser feliz sozinho, como cantou Tom Jobim? Enfim, que necessidade de afirmação na opinião alheia é essa que nos assedia sempre?

Os filmes de Hollywood, comédias românticas e contos de fada, as novelas das seis e todos os romances que lemos nos inspiram a procurar pelo príncipe encantado ou pela bela adormecida em todos os relacionamentos que temos e fatalmente, nosso padrões ficam bastante altos em termos de exigência do que queremos ou entendemos por amor.

O amor então, passa a ser algo lindo, florido e cheio de perfeição: a pessoa amada é aquela que nos surpreende com gentileza, compreensão além do normal e que ri de forma solidária do nosso jeito desastrado. Ela não sente ciúmes, só aquele bonitinho e mesmo quando acorda amarrotada, é linda, de manhã cedinho. Tudo é lindo e o bonitão é inteligente, educado, gentil, um pouquinho safado e fiel. A princesa será linda e sexy o tempo todo e ficará ainda mais linda quando estiver irritada. O casal terá recursos financeiros e depois de um casamento dos sonhos, irão passar a lua de mel no melhor lugar do mundo e serão felizes para sempre.

E depois do para sempre ? alguém já parou pra pensar no dia seguinte? Quando as contas chegarem, quem vai ficar com o que? E ao passar dos anos? E a preguiça do bonitão, que chega em casa, arranca as roupas e as joga pelo chão, coloca os pés pra cima no sofá pra ver o jogo e quer um tira-gosto? E as malditas estrias e celulites da princesa que não anda tendo tempo de ir ao salão ficar perfumada pro seu príncipe porque o sapo não anda ajudando em casa?

Algumas mulheres radicais ou não, no movimento feminista, afirmam veementemente que a mulher não precisa se casar pra ter ao seu lado, com perdão da expressão, “um macho” que a legitime e um bando de filhos pra lhe fazer sentir uma mulher completa, porque ela se basta.

Nesse caso, extremos são extremos e nenhum dos dois radicais são saudáveis. A questão deve passar pelo real comprometimento e a melhor compreensão do que as pessoas querem quando procuram amor. Se de fato, é a perfeição, melhor desistir antes que a gente vire uma Liz Taylor casando 10, 15 vezes e morrendo solteiros.

Se procuramos, entretanto, pessoas de carne e osso, cheias de imperfeições, mas com as quais sabemos e podemos lidar; se estamos querendo apenas dividir a vida e as dificuldades e as risadas com alguém que tenha um senso de humor, mais ou menos, parecido com o nosso, pra rir das coisas e lidar com as imperfeições um do outro, compreendendo e aprendendo a crescer juntos; se sabemos que a felicidade não está em outra pessoa, mas em nós mesmos e entendemos que o amor é dividir essa felicidade pra que a outra pessoa também seja feliz com a gente, então, pode ser que estejamos no caminho certo.

Mesmo que o caminho certo seja descoberto sozinho, quando se descobre que a ausência de um parceiro ou parceira conjugal não faz a felicidade, mas, por que não dizer? Algumas pessoas sim, podem ser felizes sozinhas.

Aí sim, casados ou solteiros, poderemos até correr o risco de sermos felizes, até que a morte nos separe.