Das séries as telenovelas: o entretenimento, o lúdico, e a construção do EU (self)

“Dê a seu filho três pacotes de biscoito recheado, uma garrafa de coca-cola, ligue a televisão e terá uma baba não física, sem vínculos empregatícios, e totalmente eficiente!”.
Por mais que absurda e de total displicência parental, tal medida não causa estranheza, e por mais que seus efeitos a longo prazo possam ser completamente caóticos e sem volta, não duvidamos que sua eficácia em desviar a atenção de uma criança (adultos, idosos…) é enorme.
Como pensar nos séculos XX e XXI sem levar em consideração o papel da mídia na construção de cultura, de hábitos, comportamentos e, até mesmo (pasmem) na identidade e personalidade das pessoas? Impossível!
O processo de industrialização, a revolução Francesa e a protestante são marcos burgueses que modificaram toda a forma de organização social, dos processos de produção e venda, e toda a dinâmica de como se viver.
O processo de urbanização, as formas de produção e a divisão do trabalho, marcam significativamente o modo de vida. Habemus a sociedade de massa, e o processo de atomização do sujeito (ser mais um).
Enquanto as organizações crescem, as tecnologias são utilizadas no dia a dia das sociedades, começamos a ter uma nova ideia de tempo e espaço: o trem, os fusos, telegrafo, rádio, TV.
Presenciamos o capital que rompe as barreiras nacionais, e observamos o fenômeno da globalização.
Começamos a saber o que acontece no Japão, estando aqui no Brasil.
A mídia, que tem em seu próprio nome seu conceito – meio, mediar, mediação – se encarrega de um propósito de comunicar os eventos. Em sua origem a mídia estaria colocada como um “quarto poder”, aquele que faria a “ponte” entre os três poderes e a comunidade, o povo, os civis.
A questão da mídia como quarto poder chega a um grande impasse, quando nos damos conta de que essa instituição só cabe em duas possibilidades: ser do Estado ou ser Privada.
Em ambas há o conflito com a sua ideologia “de berço”: a imparcialidade.
Como ser imparcial se a instituição for do Estado, e como ser imparcial se há uma ideologia dos que são donos do meio (além da questão da necessidade de lucro para sua continuidade)?
A ideia de cultura de massa, estaria relacionada à ideia daquilo que é produzido e pensado, a partir do que é fornecido por meios de comunicação e por outras formas produtoras de cultura. Essa ideia é repudiada pela escola de Frankfurt que adota o nome de “indústria cultural”, uma vez que os meios produzem produtos passíveis de alteração em benefício do lucro – aquele previsto no pensamento de quem é dono de alguma organização.
Ou seja, será que o que circula como cultura é genuíno? Para os alemães não!
A televisão ocupa um papel muito forte na vida das pessoas: ela constrói, ou ajuda a construir a maneira como as pessoas são ou serão.
Toda a mudança social gerada pelos fatores já expostos, nessa período antes da pós-modernidade, alterou em muito as instituições que modelam e influem na construção pessoal. Antes tínhamos a Igreja, a família, as forças armadas como grandes engrenagens da formação do EU. Essas instituições entram em declínio, e dão espaço para outras formas. De certa forma, há uma descentralização na forma de identidade, que vai se tornando tão múltipla de possibilidades e menos duradoura, que passa a ser uma forma mais de identificação.
Hoje é possível saber como é a cultura japonesa sem ter ido lá. É possível querer ser um ermitão, ou viver dentro da cultura celta sendo brasileiro. E ainda mais, é mais próxima a possibilidade de construir uma vida em outro país de uma forma diferente à da época da colonização.
E aí a TV entra com um papel gigantesco na parte das opiniões, da informação (dita imparcial), e dos programas de entretenimento.
O entretenimento e a dramatização, que tanto povoam os canais televisivos, são aspectos que sempre estiveram nas civilizações e em todas culturas: é o lúdico, é o fantasioso, é o aprender ainda que numa esfera de algo que não existe. Bem… todos nós utilizamos o lúdico para nos desenvolver, principalmente quando mais novos, e vamos continuando com isso durante toda a vida.
O cinema traz muito a questão da dramatização e do entretenimento. Temos na televisão tanto os filmes, como as séries ou seriados, e as telenovelas.
As telenovelas são presentes em praticamente o mundo todo, mas nada se compara com seu fenômeno na América Latina.
As telenovelas surgiram em Cuba, e seu nome vem da junção de tele (televisão) e novela referente ao tipo de estrutura textual.
As novelas escritas diferem bastante da estrutura das novelas televisivas, uma vez que não possuem uma história principal com poucos aspectos fora desse pequeno emaranhado de vivencias. As telenovelas estariam mais próximas do romance. Mas então por que seriam chamadas de novela? Pelo aspecto periódico que era encontrado nas novelas que eram vendidas em bancas: toda semana, todo dia, todo mês, toda quinta feira.
Do que seriam compostas? De recortes da realidade, que dariam ao telespectador a facilidade de imaginar que essa história poderia ser real, ou acontecendo em algum lugar agora, ou que já aconteceu em outra época.
O que há de tão interessante nas novelas com relação ao que já foi falado, sobre como a mídia é produtora de cultura? Aí que está: o entretenimento é uma fonte para a construção do eu; e o que há de mais interessante, normalmente quem está ali assistindo não se dá conta disso.
O entretenimento ocupa um espaço do momento em que se há pouca defesa com relação ao conteúdo proposto. Ou seja, você abaixa suas defesas por ser uma tarefa que está no campo da diversão, distração.
Muitos conteúdos apresentados são absorvidos e tidos como verdadeiros, ou que provavelmente seriam assim em todos os lugares.
Telenovelas não tem, em si, a obrigação de retratar a realidade de forma fiel, fidedigna. Uma novela se enquadra em um recorte generalizado e estereotipado de algum fragmento ou contexto social, sendo uma dramatização, e ocupando um espaço relativo ao entretenimento.
Ele precisa ser real no aspecto de conseguir buscar com que quem a assista consiga interagir como se fosse possível estar lá ou que fosse alguma parte de seu dia-a-dia.
O caráter de fonte fiel, é muitas vezes, subentendido por quem assiste por haver um padrão tão alto de identificação (sim ali já cenas que existem ou que podem ser reconhecidas por qualquer pessoa) que a pessoa admite que seu conteúdo é por obrigação totalmente verdadeiro. Além disso, por ser um programa de pouco mais de uma hora, e com uma duração total de meses, ela não consegue (e não há necessidade) de retratar a realidade exatamente como é, e nesse passo, o pequeno recorte, normalmente, acaba servindo de referencial para compreensão do mundo, transformando o conteúdo presente nessas séries fictícias em verdades absolutas.
As classes se veem ali e ao mesmo tempo que confirmam o que pensam sobre a sua própria, também confirmam o que acham das outras.
Ou seja, você chega em casa e não quer pensar em seus problemas, quer apenas se divertir! Não quer estudar, não quer pensar sobre nada! Mas aí que se encontra a chave da questão: quando você vê alguma coisa da TV, até mesmo entretenimento, você adota uma relação de espelhamento, se construindo e se identificando com os personagens, a trama, a facilidade de prever o que irá acontecer; e ao mesmo tempo a novela e quem a escreve está lá buscando que os personagens e as tramas estejam de acordo com o que é esperado, também, pelos telespectadores.
Agora o grande negócio a se pensar… você não precisa ver todos os capítulos da semana pra compreender a história, a trama… as coisas se repetem muito na novela… sabe o por quê? Sustentar um público e aumentá-lo!

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Nem toda feiticeira é corcunda!

Hoje é dia das bruxas ? No Brasil ?  Eu deveria escrever sobre o Dia da Reforma, por razões óbvias, mas o tema já foi abordado! Então…Como diz um certo ditado por aí, eu não acredito em bruxas, mas que elas existem, existem e estão à solta!

Pequenos, nós aprendemos quem são as bruxas nos contos de fada: aquelas senhoras de idade avançada, de aparência pouco agradável e risada estridente que fazem maldades! São as noivas do Tinhoso! Pelo menos, era assim. Depois, veio uma onda de bruxas boazinhas e inclusive muito bonitas! Alguns seriados enlatados vieram trazendo essa moda de Halloween pro nosso país tropical.

Diz que a culpa é da globalização. Eu desconfio que seja mais culpa da pouca ou quase nula valorização que o povo brasileiro dá à sua própria cultura, história e folclore! Damos preferência a tudo que não é nosso.

Apesar de achar essas bruxinhas importadas das séries americanas muito bonitinhas e até bem interessantes, eu ainda prefiro a idéia de relacionar as bruxas com medo! Em dias de simulacro, prefiro o real, o exposto e transparente! Prefiro lidar com o óbvio, as bruxas senhorinhas que colocavam medo na gente! Inclusive, conheci uma! Inclusive na família!

Toda vez que vejo a maldade nas relações humanas, pessoas criando intrigas, separações, buscando interesses escusos; toda vez que percebo malícia de pessoas se aproveitando da inexperiência de outras, violência, corrupção e outros descasos com a vida, em geral, eu percebo que elas estão à solta!

Estão à solta e ora, veja, as séries americanas,danadinhas! Acertaram em cheio quando maquiaram as bruxas de boazinhas!  As nossas bruxas muitas vezes estão  disfarçadas de boas intenções, de amizade, gentileza e sorrisos simpáticos! São dissimuladas e se chegam com promessas, com tapinhas nas costas e boa vontade de ajudar! Não acredito nas bruxas, mas elas estão por aí, voando! Não demora muito, voltam a aparecer em horário nobre, oferecendo suas maçãs envenenadas! As bruxas dos contos de fada, que me perdoem! Aliás, coitadinhas! Viram inocentes ovelhinhas diante dos feiticeiros, bruxos e lobos que temos na nossa vida real!

Procuramos independência…

“Brava gente brasileira! Longe vá… temor servil: Ou ficar a pátria livre. Ou morrer pelo Brasil.” No último sábado celebramos mais um sete de setembro, a data tão festiva da nossa independência, no meu Café sobre mais essa data comemorativa não vou dessa vez me atentar aos detalhes místicos e heroicos que envolvem essa comemoração, e a figura do Dom Pedro I e sim vou tratar um pouco mais sobre a questão da independência.

O que mais vimos nesses últimos dias foram pessoas falando que o Brasil não é independente e coisas desses naipe, e de fato isso é um fato, pois mesmo depois de 191 anos de independência o país ainda é dependente de muitas outras nações, nos mais diferentes aspectos, contudo vale lembrar que em termos de pós globalização, nenhum país é ou poderia de fato ser independente. As relações comerciais e econômicas fazem todos os países reféns uns dos outros.

É claro eu acredito que em muitos aspectos o Brasil poderia e deveria ser mais independente dos outros, pela imensidão das riquezas naturais que temos, pela criatividade do nosso povo, pelo poder de produtividade e a lista segue. Mas a independência de 100% seria impossível.

E isso fica evidente em nossa própria forma particular de enxergar nosso país, do tipo de bens culturais que temos consumido. Vamos ao cinema e sempre escolhemos assistir filmes estrangeiros, se queremos apenas entretenimento assistimos a filmes estadunidenses, se queremos filmes com um pouco de conteúdo mais profundo optamos por filmes europeus. Se vamos comprar produtos, desde cosméticos, até vestuário, eletrônicos e etc. se alguém nos oferece algo importado nós sempre achamos que esse vai ser melhor que o produto nacional.

Na hora de consumir música, o patrão de música mais consumido ainda é ligado ao estrangeiro. Na hora que alguém nos conta que foi fazer uma viagem, se a pessoa diz que foi ali conhecer o interior do estado do Mato Grosso nos fazemos aquela cara de que legal, mas se a pessoa diz que foi fazer uma viagem internacional nós a chamamos de chique e queremos saber de todos os detalhes do país visitado.

A ideia de um Brasil mais independente passa muito, mais muito mesmo pelos nossos universos particulares, com nossos hábitos ,com que tipo de estilo de vida queremos e esperamos ter, se queremos ver mudanças na esfera do macro precisamos saber que é com mudanças na esfera do micro que podemos fazer muito mais diferença.

O Brasil muda essencialmente, quando eu e você mudamos. Por isso celebre a “independência do Brasil” com um gostoso Café, bem a brasileira, com reflexões a respeito do que você pode fazer para tornar esse país um lugar ainda mais lindo de se viver.