O legado Chavista

Chávez foi o primeiro político venezuelano que repartiu os lucros do petróleo com o povo. E o auge dessa política foi na época do barril de petróleo valendo 200 dólares. Entretanto, ele não cuidou de tratar a doença do petróleo a qual a Venezuela é vítima. Não considerou a industrialização do país como um investimento vital e de longo prazo.
Antes disso, se preocupou em usar a dependência de petróleo da sociedade venezuelana para alimentar seu projeto de permanência no poder no longo prazo.
O petróleo foi seu escudo para retirar privilégios históricos das elites locais e desafiar, de modo moleque por vezes, os EUA sem sofrer dano.
Mas seria melhor se ele usasse o petróleo como arma para que a soberania da Venezuela fosse sustentada não só pela política externa mas também pela geografia econômica do país.

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Adeus Hugo Chavéz …

Acordamos esta manhã sem a presença de uma das maiores figuras políticas do nosso tempo presente. A importância política histórica de Hugo Chávez é inquestionável. Sim de fato ele foi um ditador, e eu sou absolutamente contra esse tipo de regime, contudo ele também deve ser lembrado por sua ousadia ao criticar e enfrentar os EUA e o Capitalismo.  Eu costumo brincar dizendo que existem pessoas que conseguem com suas vidas serem deus e o diabo, pra mim Chavéz foi um desses. Seu tipo de atuação contra a liberdade de expressão, perseguições a quem se posicionava contra seu governo são super condenáveis, contudo sua política social, suas medidas econômicas acertadas, sua posições firmes,seu carisma junto ao povo merecem ser lembradas e respeitados, além do que  um presidente que consegue que seu país chegue ao patamar de apenas 4% de analfabetismo , merece todo meu respeito enquanto professora.

Mas é fácil condenar suas posturas ditatoriais e repressoras sem que paremos pra pensar se de fato vivemos numa democracia ou numa psedo-democracia aqui no Brasil. Pois aqui temos muitos problemas com liberdade de expressão que ficam na maioria das vezes camuflados e travestidos de outras coisas. E talvez essas barreiras invisíveis de censura, de opressão, de dominação, de perseguição política sejam mais duras que as ditaduras escancaradas, porque na maioria das vezes soam como normais.

Vemos o mundo, tanto educacional quanto da informação, na maioria  absoluta das vezes pelas lentes ocidentais dos EUA e da Europa.  Ou seja quem é inimigo dos EUA é nosso inimigo também. Repetimos esse discurso sem ao menos nos darmos conta dele.

Pior ainda, esquecemos nosso passado recente de ditadura, e que os EUA além de apoiar foi um dos responsáveis pela instauração da ditadura em nosso país. Logo se o ditador está com eles tudo bem, se ousa estar contra eles deve cair. Na verdade são sempre os fatores econômicos que favorecem os EUA é que estão em jogo.

Mas certamente discussões e reflexões sobre isso são intensas e extensas e não cabem  nesse momento aqui em nosso café.

Quero apenas salientar que devemos lembrar de Hugo Chavéz, principalmente pelos pontos positivos que ele teve em seus 14 anos de governo, e suas falhas devem ser lembradas principalmente para não serem repetidas, nem por seus sucessores, tão pouco por qualquer outro governante em qualquer parte do mundo, aliás essa é uma das principais funções sociais dos estudos históricos: conhecer a história para que ela não seja repetida em seus pontos negativos.

Me resta apenas dizer: Descanse em paz Hugo Chavéz….

E como meu texto foi sendo escrito em meio a uma notícia que deixou o rock nacional mais triste hoje, termino com um trecho de uma música como forma de homenagem ao Chorão e que vem a calhar com o tema do meu post:

“Histórias, nossas histórias. Dias de luta, dias de glória. Histórias, nossas histórias…”

Descanse em paz Chorão!