Um legado que renova nossas esperanças.

Meu primeiro contato com o que foi o Apartheid aconteceu quando estava na sétima série, em 1996, nos estudos sobre geopolítica quando nosso professor de Geografia, Benedito, nos passou o filme “O poder de um jovem” (que inclusive super recomendo para vocês assistirem). No filme o menino P.K. torna-se um grande ativista antiapartheid porque sente ele próprio o preconceito. Quando assisti ao filme pude então entender melhor o que tinha sido esse regime de segregação racial. São justamente nesses momentos em que conheço mais sobre a história da humanidade é que eu sempre me pergunto: como a raça humana foi capaz de fazer isso?? Que estupidez!

Mas foi ao estudar o Apartheid que me deparei com aquele, que, talvez possamos chamar de uma das maiores personalidades do século XX, Nelson Mandela. Eu me lembro de que cada coisa que lia sobre ele achava o máximo. Seu exemplo de luta por igualdade, sua perseverança e sua espera eram bem interessantes pra mim. E o que eu achei mais genial, até aquele momento, era saber que ele tinha ficado preso por 27 anos, que tinha dado a volta por cima, e chegado a presidência de seu país, podendo lutar de uma forma ainda intensa contra os resquícios do regime racial que o tinha aprisionado. Era um exemplo de superação, confiança e fé. E por falar em fé, o que mais me deixou feliz sobre ele foi o dia em que descobri que Mandela era metodista. Pensar que ele frequentou o mesmo tipo de Escola Dominical que eu, que muito dos seus princípios sobre igualdade, justiça, fraternidade, união, amor, ele provavelmente apreendeu porque era um cristão metodista. Descobrir isso foi bem marcante para minha própria caminhada de fé, renovou minha esperança na igreja que eu escolhi fazer parte. Como diria a canção: “Se todos fossem iguais a você que maravilha viver…” . Apesar de orgulho não ser um sentimento bom para se desenvolver, eu tinha um orgulho todo especial ao dizer: “Nelson Mandela é metodista!”

Acho que todas nós, na última semana lemos muito sobre seu legado, e não quero com o meu Café de hoje apenas ir na modinha, mas se semana passada eu dizia aqui nessa Mesa que muitas pessoas são boas e não são reconhecidas enquanto estão vivas, Nelson Mandela certamente é um exceção, creio eu que é quase impossível conhecer ainda que minimamente sua história e não o considerar um grande herói dos nossos dias.

Pessoas como Nelson Mandela devem ser celebradas e lembradas constantemente, em várias esferas, seja na política, na luta contra o preconceito racial, em nossas igrejas. É pela história de vida de pessoas como Mandela que temos nossas esperanças renovadas, que ainda podemos acreditar que um mundo melhor é possível. Mandela se vai justamente em tempos de advento, que para nós cristãs e cristãos não é mais um tempo de espera pelo Deus que de faz menino e nasce numa estrebaria, nossa espera de agora é pelo Jesus ressurreto, que nos ensina diariamente que temos que lutar contra todas as mazelas destes tempos tenebrosos, que devemos viver em amor, paz e justiça, até ao dia em que todas e todos nós desfrutaremos de Sua preciosa presença na eternidade. E com certeza firmado nessa esperança é que Mandela viveu. E é nessa esperança que também devemos viver!

“Não quero flores, quero respeito!”

A propósito do dia internacional da mulher que se aproxima (dia 08 de março), fui estimulada a refletir sobre o tema. Me agrego àquelas/es que insistem em resistir ao tratamento diminuto que, em geral, se dá a luta pelos direitos da mulher.

É bem verdade que, nunca, em toda história da humanidade, a mulher alcançou o patamar em que se encontra hoje, com avanços políticos e civis significativos. Entretanto, ainda há “muito caminho a se percorrer”.

Na esfera da religião, esse caminho tem sido ainda mais árduo, como bem sabemos. Dizer que é feminista é se entregar à morte, na maioria das vezes. Quanto a mim, tenho uma resposta pronta. Ao ser perguntada se sou feminista respondo: sou cristã, e explico: Cristo é justo e eu busco a justiça.

Ser tida como incapaz de assumir papéis e desenvolver tarefas ou como um ser com inteligência menor só pelo fato de ser mulher é, no mínimo, uma injustiça!

O próprio apóstolo Paulo, tanto citado para subjulgar as mulheres, legitimou a escravidão e nem por isso concordamos mais com o fato de outro ser humano ser escravizado. Por outro lado, o mesmo Paulo também diz: “Dessaarte, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus.” (Gl. 3:28). Na verdade, nós escolhemos o que defender. Eu prefiro esse Paulo.

Entretanto, tenho consciência de que faço parte de uma cultura em transformação e que esse processo é lento. Minha contribuição, portanto, deve, acima de tudo, respeitar o ponto de vista da/o outra/o.

De qualquer forma, fica registrado aqui o meu protesto. Gosto de ganhar presentes, como todo ser humano, inclusive flores. Mas especialmente nesse dia, gostaria de ganhar respeito!