Facilidades: vendemos nossa alma por preguiça

Todas as facilidades.
Não seria essa a grande “ilha” da nossa atual sociedade?
Um grande conforto oferecido, uma maior praticidade em tudo. Todo o marketing em cima de produtos que são mais eficazes, mais simples, mais rápidos, e tudo levando uma “facilidade” para a vida de várias pessoas.

Trocamos a nossa alma pelo que surge no mercado.
A tecnologia toda busca uma maior integração entre os próprios produtos: tv liga ao note, ao videogame, uma conta apenas para tudo.
E o que você ganha? Facilidade.
E o que ganham? Também a facilidade.

Mostramos muito do que somos, do que queremos, do que fazemos para todos.
Você tira uma foto, bota pra várias pessoas, essas pessoas podem mostrar a outras, e em um mecanismo de “rede” todos conseguem ter uma grande facilidade: a de olhar a vida do outro.

Você deixou de ser a essência e um enigma, e virou um enigma das imagens que você quer mostrar que é.
Estamos imersos em uma sociedade em que estamos sempre sendo vigiados, observados. Estamos em carnaval profundo e prolongado.
Sem apontar o dedo para A ou B, mas como fenômeno global.

Hoje temos a possibilidade de comprar sem sair de casa, mas ao mesmo tempo, temos a dificuldade de lidar com a quantidade de exposição que acabamos oferecendo. Somos vistos e observados, e como uma grande “paranoia” coletiva, vivemos em uma sociedade nua.

Podem me controlar sem precisar muito. Podem ter muito de mim, sem que eu necessariamente, seja coagido.

Somos grandes pinturas no vidro, em meio de um tiroteio. Não somos tão complicados para quem não quer que sejamos, não é?

Se desde que nos deram números (cpf) nos tornamos não mais pessoas, mas um número que consta nos arquivos, quando fomos digitalizados, nos tornamos 0 ou 1 de informações.

Já pararam pra pensar em como que há sites que possuem nossas informações, e o quanto é perigoso que caiam no esquecimento?
Qualquer site antigo, pode oferecer vender as informações contidas ali (mesmo que possa haver problemas legais).
E o que até mesmo a sua avó, sem ser cibernética, já te dizia era que “saber é poder”. Deixamos que eles saibam… porque trocamos por facilidades.

Nossa sociedade vendeu a alma por uma cama mais confortável.

Quanto vale uma música?

Quanto vale uma música?
Fico me perguntando constantemente isso. Quando você pensa no quanto criar uma melodia, uma letra, enfim, bolar todas as tramas de uma composição musical, você aprecia um valor muito maior do que qualquer cédula poderia comprar.

Hoje vivemos uma época em que as maneiras de se comercializar música são incertas e normalmente, as maiores vendagens vem de algumas apostas inovadoras que implacam.Podemos citar duas bandas grandes que abriram um álbum com a liberdade de seus fãs pagarem o que achavam justo pelas músicas que ali encontrava. Radiohead e Weezer.

Fora de fatos raros como esses dois apresentados, normalmente a música se transformou em documento: apenas uma informação que é vinculado e veiculada a partir de trocas entre os usuários da grande rede.
Se há uma necessidade de dinfundir, pode-se dizer que hoje há maior democracia.

Já na questão de quem produz e precisa ter retorno financeiro, o atual panorama é triste e complicado.A produção de um álbum (até mesmo se falarmos do underground ou de projetos independentes) é sempre motivo de grandes gastos. Há o preço do estúdio (horas gravando), valor da edição e da masterização das músicas.

Há locais que já oferecem um preço fechado para toda a “construção” de uma música, no entanto, cada centavo é bem considerado antes de oferecerem o orçamento.A arte de um cd é algo que pode facilitar o acesso com os fãs: algo que parece “apetitoso” visualmente, facilita que seja usado. E um artista que configure uma capa, deve saber cobrar pelo seu trabalho. Justo!

Além disso, há o preço pela qualidade da impressão do trabalho, uma vez que apenas a qualidade musical e uma capa interessante podem acabar sendo enfraquecidas caso o material usado e o tipo de impressão não sejam parecidos com o que uma banda grande usaria. Ou no caso de uma banda grande, os gastos são sempre elevados para cima, devido a maior produção, maior mercado, busca pela “nata” na elaboração de seu álbum.

Talvez por isso, hoje seja um caminho incerto ser tradicional e criar um álbum e comercializá-lo através de sua forma material: capa, cd. Até porque uma pessoa que o compre, pode “usurpar” as informações presentes ali e espalhá-las na internet.Algumas bandas tem tentado quebrar a lógica e gastando bastante em cds tradicionais e simplesmente os distribuindo. Outras apenas usam os “mp3’s” na internet e concedem o download gratuito. Talvez a facilidade de obter informações, naõ necessariamente garantam uma boa dissiminação, já que talvez o problema não esteja com as formas de se vender, mas com quem compra.

O público atual está sempre de cara com mais e mais tecnologias, e interagindo com um grande volume, uma grande quantidade de estímulos ao mesmo tempo, e a forma que se consome a música, assim como as informações, já não é a mais a mesma de antigamente. A possibilidade infinita, fez do homem um ser que toca a superficialidade de tudo que há, indo apenas a fundo em pouquíssimas questões.

Penso que uma música oferecida é uma informação, que não é ainda um conhecimento, apenas se transforma em um quando é escutada com atenção e gosto. Da mesma maneira que o google oferece informações, o conhecimento só começa a ser construído quando há a entrada em um site e seu conteúdo é lido e compreendido.

Hoje não pensamos mais em ter no máximo umas 20 músicas pra escutar no carro. As fitas k7 possibilitavam por volta desse número de músicas, assim como o leitor de cd. Hoje se despeja mais de gigas de músicas em um pen drive e você
tem a possibilidade de ouvir quase todas as músicas que você gosta. Esperar uma música acabar é uma tortura, já que você sabe que a próxima é tão boa e você gostaria de escutá-la já.

Enjoa-se fácil de uma música logo após esta ter suprido o papel dela: o de matar a saudade. Pronto já foi consumida.
O dedo indicador do homem se transformou em uma arma de destruição em massa pra a música: é apenas um toque que a música já é outra.

Nessa ideia, as bandas tem apostado em algo diferente e que vai, teoricamente,na contra-mão do que pareceria mais óbvio: produzir cds com poucas músicas, os EPS ou extended play, um cd de 10 a 20 minutos, 4 ou 5 músicas.
Por que usar tal tática? Para fazer com que a pessoa escute todas as músicas, e que se for para ter algum aspecto negativo que seja a reclamação por ter poucas músicas e a de que deveria haver mais. Com poucas músicas, a gama de possibilidades diminui, e o público se presta a ouvir o que há ali.

O que pode dar de errado nisso? Aí seria o princípio já falado, que seria a de não haver curiosidade em abrir e escutar o álbum. Boa capa, boa ilustração e talvez botar uma surpresa de kinder ovo podem ser a fórmula para que escutem sua música. Mas aí… na questão volitiva de quem tem o cd, aí já são outros casos que passam da questão da produção e vão mais ao marketing e ao que o público teria de sentimento de estar melhor em consumir e ouvir o seu produto.

Quanto mais… menos!

Os sites de relacionamento na internet dão espaço a algo que anteriormente se reservava apenas para a conversa. Nesses espaços você tem uma platafoma que serve como um espaço que possibilita que as pessoas tenham mais voz, falem o que acham, busquem ideias construtivas para a sociedade.
A verdade é que ao mesmo tempo, o espaço virtual (mesmo com uma repercussão maior) se configura no mesmo patamar da conversa, na mesma lama: surgem os grandes filósofos, profetas, pensadores e revolucionários… da cadeira de computador, não saem do lugar.
É claro que o debate leva à reflexão, e essa é fundamental para a construção de aspectos melhores em uma sociedade, no entanto, as formas de colocar em prática, são sempre mais dispendiosas que o simples “vômito” de ideias tecladas.

Dessa mesma maneira, temos a música, que se remodelou com a internet. A indústria fonográfica acompanhou o desenvolvimento tecnológico,das redes de relacionamento e de divulgação virtuais. Desde o momento em que compactaram uma música e a transformaram em MP3, o destino da música estava selado, e provavelmente, rumando a um panorama em que apenas a criatividade faria vender. A compra de álbuns, hoje em dia, é baixa: é por download.
Tantos sites, tantas maneiras de divulgar fizeram com que a internet se tornasse um campo de grande auxílio ao músico, tanto no aspecto de vender a ideia quanto o trabalho. Parece simples, mas disponibilizar músicas na internet, fez com que não fosse preciso adquirir um álbum de certa banda. Isso é cômodo e vantajoso em certos aspectos, já que você pode sem sair de casa, escutar o que você queria; além de não ser preciso consumir as músicas que não são de seu interesse, mesmo que do artista que você goste, por exemplo: eu posso baixar a música A e B de um CD de uma banda Y, se meu interesse se limita a essas canções. As implicações disso não são apenas econômicas, mas também há a perda da essência do que é o “conhecer” o artista. As músicas conhecidas como Hits são as que mais vendem, no entanto, um álbum possui uma ideia que está no centro de todas as canções ali presentes.

A ideia foi a facilidade, o que a tecnologia usa como carro abre-alas em qualquer campo de seu desenvolvimento. No entanto, há dois processos interessantes resultantes dessa mudança da forma de consumir música: a primeira seria a impaciência daquele que escuta músicas, e a segunda seria que a facilidade de bandas exporem seu trabalho fizeram dessa vitrine algo saturado.
O primeiro resultado está ligado a quem consome, que num frenesi e na facilidade de possuir uma música, ele começa a obter sua própria discoteca em seu computador. São tantas músicas e vontade de escutar todas, faz com que a pessoa se canse mais rápido da música, ela precisa apenas ouvir um trecho e já segue para outra. São os famosos “hiperativos do playlist”. Ok, acabo de inventar essa nomenclatura. O aspecto de haver tanta música e poder ter a possibilidade de ter tudo isso tão fácil, faz com que não haja interesse em escutar a música 1 e a música 2, mas sim as 15 músicas no tempo da 1 e da 2.

o outro processo se relaciona ao que foi falado no primeiro parágrafo: as bandas tem onde mostrar, onde ter voz, no entanto, esse espaço além de saturado de tantos artistas, ele também não é o mesmo que expor o trabalho em shows, tocando em outras cidades. Ou seja, há mais meios do que antes, no entanto, eles podem não ser tão eficazes quanto.
O músico deve entender que o que há de mais fácil hoje, nesses sites, é que coisas engraçadas e que divertem façam sucesso, talvez a música apenas quando já haja investimento de algum empresário ou produtor. O dinheiro fala, o contato mais ainda (não que o dinheiro e o contato não estejam na mesma família).
Por mais que a internet venha com propósito de facilitar, tanto relações, quanto exposição de virtudes, o passo para ser ouvido ainda é o trabalho e a profissionalização, contando com o fator sorte; e se você for de família rica, seu padrinho.

@Vigilância

Estamos vivendo os últimos tempos, décadas, de internet “livre” da história. Pelo menos essa é a constatação depois de ler algumas páginas do livro Cypherpunks escrito por Julian Assange. Recentemente o Brasil recebeu a visita de Yoane Sanches e junto com ela desembarcou toda uma polêmica sobre a liberdade de expressão dentro do regime cubano. Mas a censura que se ergue não é tão simples como ser impedido de criticar um regime político falido.
Estamos aos poucos ingressando em uma época em que ideias melhores que as provenientes de políticos e lobbys corporativos podem ser enquadradas na clássica lógica do vigiar e punir.
A internet está se tornando um ambiente altamente militarizado, sendo que exatamente tudo que se passa na rede está sendo armazenado, ou simplesmente estamos postando por livre espontânea vontade ou fazendo pesquisas no maior serviço de espionagem da história. Há cada vez menos privacidade para os indivíduos e cada vez mais sigilo e proteção sobre ações de governos e corporações.