Querer-se livre é também querer livres os outros.

Estive profundamente impactado esta semana por algumas informações que recebi. Entre elas, a de que, segundo dados da ONU, morre-se mais de fome na Coreia do Norte do que na África, por exemplo e como ainda existem campos de trabalhos forçados naquele país. A causa principal são motivações religiosas. Um norte coreano que se converte ao cristianismo e é descoberto é preso num campo desses e passa a receber 3 porções de arroz por dia para se alimentar. Não apenas ali, mas em outros países dos 2/3 de países do mundo em que não existe liberdade religiosa, cristãos/ãs são presos, torturados, assassinados. Há casos que se tornam mais famosos como da mulher que foi presa e poupada da morte por estar grávida. Adiaram a sua condenação pra depois de 2 anos, quando ela terminar a amamentação de sua filha. Esta mulher deu à luz, presa e algemada.
Estes são os casos cristãos, que me doem mais de perto. Claro, estou puxando “a brasa pra minha sardinha”. Se for pensar em quantas barbáries não foram e ainda são justificadas, ao longo da História do Mundo , em nome da fé deste ou daquele grupo,poderíamos pensar inúmeras coisas, mas eu quero me prender a um ponto: Nós fazemos (Brasil) parte de um privilegiado grupo do 1/3 restante; que tem total liberdade de expressar e viver suas questões de fé como bem entendem. A pergunta que eu me faço é: temos plena consciência desse privilégio e o usamos da melhor maneira possível? Como cristão que sou, eu usufruo os meios religiosos que tenho para que ?
A fé que eu professo tem princípios de amor, serviço, respeito, compaixão, misericórdia para com o próximo, negação dos meus instintos, desejos egoístas e opção por uma vida simples de disciplina espiritual e regrada que busque em primeiro lugar o benefício das outras pessoas. Tenho pouco conhecimento de outras religiões, mas em geral, alguns desses princípios estão presentes em quase todas, estou errado? Em geral, a função da religião é exatamente tirar meu foco do meu mundinho e me fazer olhar ao redor, pra necessidade do outro e não apenas buscar riquezas e satisfação.
O respeito é uma base sólida de uma vida de fé em um mundo, supostamente livre. O problema é que, desde o princípio do mundo, o ser humano tem uma enorme dificuldade de lidar com essa liberdade. Vivemos buscando meios de preservar a nossa “liberdade”, nem que pra isso, a liberdade do outro seja desrespeitada. E aí, oprimimos o outro. Aí, quando nós é que somos o outro, ou seja, quando vemos casos em que, somos minoria e somos desrespeitados em nossa liberdade, que achávamos ser um direito; a coisa vira um assunte!
Talvez, a solução seja mudar os olhos e deixar de ver coisas que consideramos nossos direitos, como privilégios de todos! Ser livre, em um mundo em que a maioria não é (2/3 do mundo não sabe ainda o que é isso) não é, portanto, um direito, mas um privilégio! Se tratarmos a liberdade como privilégio, talvez consigamos recuperar o respeito pelo privilégio do outro.

 

 

O Título é uma frase de Simone de Beauvoir.

 

“Podes cortar todas as flores, mas não podes impedir a primavera de aparecer!”

 

Por ocasião dos 50 anos de golpe militar (exatamente 31 de março de 1964), nosso café hoje é servido com um certo gosto amargo na boca. O amargo de desaparecidos políticos e familiares sem esperança, de mortos e torturados, das mentiras enfiadas nas cabeças retrógradas da década de 60 e de hoje (e por uma piada pronta do destino, amanhã é dia 1 de abril, que dizem ser o dia da mentira, popularmente no Brasil) entre tantos outros dissabores que os anos de ditadura possam trazer à memória de tantas e tantas pessoas. Pessoalmente, de próximo a isso, só tenho uma tia que se envolveu em movimentos de resistência ao regime, mas que preferiu abortar a missão quando percebeu que conhecidos e amigos começaram a desaparecer sem explicações em Petrópolis. Anos depois se descobriu que nesta cidade linda existe uma casa em que muitos presos políticos foram torturados também.

Pensando sobre o golpe e recordando de um filme bastante interessante que assisti recentemente (“A menina que roubava livros”), cheguei à conclusão sobre um dos principais pontos de partida de qualquer golpe: a tentativa de “emburrecimento” de quem possa oferecer algum tipo de perigo ou de resistência. A cena que mais me marcou no tal filme foi de uma fogueira feita de livros em praça pública em que os cidadãos eram convidados a jogar seus livros nas chamas. É muito mais fácil incentivar a prática de esportes que prepara bons soldados,enfim.

Outra forma interessante, mas um pouco manjada de estabelecer regimes opressores é “demonizar” o que pensa diferente. Até hoje conheço pessoas que simplesmente odeiam ou morrem de medo de compositores como Chico Buarque. Por quê? Por que ele representa o demoníaco, o satânico ou simplesmente por que ele  pensa? O que se permite refletir, fatalmente leva outros a também pensarem. Afinal, a música é uma das formas mais sublimes de arte e isso toca a alma das pessoas, passando também pelo seu intelecto.

Fato é que nesta data, tudo leva a pensar sobre a liberdade e as responsabilidades que essa liberdade nos outorga. Ser livre tem consigo o peso de ser responsável por cada uma das escolhas que faço. Traz o peso de pensar antes de agir, de decidir por conta própria e assumir os riscos e conseqüências dessas decisões. Não dá pra transferir a responsabilidade  das escolhas a outrem, se tenho liberdade de escolha. Por fim, ainda que seja difícil assim, a liberdade ainda é o melhor caminho, a responsabilidade pessoal e de um com o outro ainda forma cidadãos melhores.

O título hoje é de Pablo Neruda.

Liberdade, liberdade! Abra as asas sobre nós…

No último dia 13 de maio, comemoramos a Abolição da Escravatura no Brasil, lá se foram 125 que a Lei Áurea foi assinada pela Princesa Isabel, e ainda temos a mesma pergunta, o que mudou para a população negra do Brasil de fato?

Primeiro precisamos entender que a Princesa Isabel não foi tão boazinha como aparece em muitos dos nossos livros de História, ela não assinou a Lei porque pensava no bem estar dos escravos, tampouco por causa das pressões populares que aconteciam, o fator determinante para que a Abolição da escravatura acontecesse foi a questão econômica, as Nações Amigas do Brasil precisavam importam seus produtos, logo precisavam de um público consumidor, escravo não tem dinheiro, logo era preciso trabalhadores assalariados, diante disso se liberta os escravos e importa da Europa trabalhadores assalariados para que eles possam consumir o que estava sendo produzido em larga escala por lá. Assim os negros recém libertos não tinham trabalho, poder de compra, e tão pouco lugar pra viver, por isso vão habitar os morros pertos das cidades, plantar feijão no pé do morro e originar o que chamamos desde então de favela.

Com esse breve Histórico sobre a data podemos entender um pouco melhor alguns pontos sobre a nossa cultura, nossa construção histórica enquanto país, do porque os negros até hoje serem marginalizados.

Em primeiro lugar gostaria de frisar que considero uma das maiores barbáries que podemos cometer enquanto raça humana, um grupo étnico-racial se julgar superior a outrem ao ponto de escravizá-lo. Somos todos criados por Deus, não existem povo ou raça melhor que a outra, somos iguais, e nossa maior riqueza está justamente na diversidade dos povos, das misturas dos povos, na nossa capacidade de sermos etnias diferentes, cada qual com sua particularidade, e dessa diferença é que vem o encanto da raça humana.

E segundo lugar, é duro pensar que desde sempre o que acaba regendo os relacionamentos humanos são os interesses econômicos, afinal como já foi dito acima, os escravos foram libertos para que pudesse existir público consumidor, mas duro ainda é imaginar que os próprios escravos não podiam se tornar esses trabalhadores assalariados e eles mesmo moverem esses interesses econômicos, afinal como seria para o senhor de engenho pagar um salário aquele que lhe sempre foi um empregado de graça.

Em terceiro lugar, já estamos no século XXI, com milhões de mudanças nos mais diferentes campos do conhecimento, com progressos em várias áreas, e porque ainda é tão difícil tem um progresso em relação ao preconceito étnico-racial, se comparamos com outras coisas, e levando em consideração que tudo é um processo de construção Histórica que demora mesmo pra acontecer, certamente 125 anos já foram o bastante para eliminar quase a zero nossas diferenças raciais.

É aí que eu pergunto o que eu e você que está lendo esse meu Café de hoje tem feito para mudar isso? Tenho dito algumas vezes por aqui que uma grande revolução pode acontecer simplesmente no lugar que você está inserido, mudar o pequeno mundo ao seu redor já vai fazer uma grande diferença.

Meu Café de hoje vai com esse convite, para que através dos meus breves apontamentos possamos refletir sobre o que temos feito para diminuir, sanar ou contribuir para que o preconceito étnico-racial acabe, como podemos construir cada dia mais uma História melhor em relação a isso.

Convide amigos dos mais diferentes grupos étnico-raciais para uma mesa de Café, e perceba o quanto isso será rico!! Bora trabalhar para que os próximos 125 anos possam ser muito melhor em relação a isso e possamos de fato cantar com toda a força: “Liberdade, liberdade! Abra as asas sobre nós E que a voz da igualdade. Seja sempre a nossa voz!”

A marcha da música

Pensei em mudar o mundo,
Pensei e pensei.
Acreditei em uma maneira de fazer o bem
Vi que algo que trazia felicidade para todos
E foi na música que me centrei
O que deixa todos com um sorriso no rosto
Ameniza as dores do mundo
Glorifica as conquistas e as batalhas.
Me encantei
Dizer o que se pensa em forma leve
Em métricas e poesias
Em tons e harmonias
Ser mais próximo do que há de mais puro
Quatro, cinco, seis pessoas
Levando uma mensagens para uma multidão
Para cinco, seis, para todos, pra um milhão.
Espero que a música seja não só entretenimento,
mas que seja alimento para um mundo melhor
Para a reflexão, para a passagem de conhecimento.
Espero, um dia, ser um músico que possibilita
Liberdade, a liberdade que vem do conhecimento
Do mostrar, do tornar acessível a uma grande massa.
Eu, e todos os músicos, pensamos em fazer um mundo
Melhor,
Quero a música, e Não a música
com interferências
Dos padrinhos que indicam
Não!
Ainda moverei multidões
Que moverão mais outros milhões.