As folhas caem.

Ao ver a menininha chorando, perguntou: “O que você tem, lindinha?” Ela, que olhava folhas caídas ao chão, respondeu com seu ar de pureza e inocência: “Estou com pena da árvore!” Quis saber o porquê e ela disse: “Suas folhas estão caindo! Deve doer…!”

Saiu daquele encontro pensando sobre a doçura da menina e a verdade daquele encontro inesperado. De fato, pra árvore será que dói? Mesmo que seja doloroso, em sua sabedoria, a árvore entende que, naquela estação, deixar cair as folhas secas é importante em seu processo de renovação. Ela sabe que o outono chega todo ano e com ele, o tempo de deixar ir o que secou para renascer no ciclo da vida. Em sua serenidade, a árvore sabe, pela experiência e o passar dos anos em que viu suas folhas secarem e se despedirem, que esse é o começo. Ainda haverá de passar por um rigoroso inverno sem folhagem para, só então, florescer e sentir a vida revigorada, começar a brotar novamente com cores e beleza.

Talvez, em seu primeiro outono, ela tenha tomado um susto e se desesperado. É assim quando se é jovem. Só o tempo e a passagem de muitos outonos nos dá maturidade para compreender que as folhas cairão no outono; o inverno chegará, depois floresce e começa tudo de novo.

Só o tempo ensina que é necessário deixar cair as folhas secas pra renovar o ciclo. Só o tempo nos ensina a lidar com os outonos. Só o tempo nos dá paciência para suportar os outonos.  Mas a gente aprende: deixar as folhas secas caírem pode até doer, mas é parte do inevitável processo da vida. Que as árvores nos ensinem a lição: Serenidade para viver a essência de cada estação.