Facilidades: vendemos nossa alma por preguiça

Todas as facilidades.
Não seria essa a grande “ilha” da nossa atual sociedade?
Um grande conforto oferecido, uma maior praticidade em tudo. Todo o marketing em cima de produtos que são mais eficazes, mais simples, mais rápidos, e tudo levando uma “facilidade” para a vida de várias pessoas.

Trocamos a nossa alma pelo que surge no mercado.
A tecnologia toda busca uma maior integração entre os próprios produtos: tv liga ao note, ao videogame, uma conta apenas para tudo.
E o que você ganha? Facilidade.
E o que ganham? Também a facilidade.

Mostramos muito do que somos, do que queremos, do que fazemos para todos.
Você tira uma foto, bota pra várias pessoas, essas pessoas podem mostrar a outras, e em um mecanismo de “rede” todos conseguem ter uma grande facilidade: a de olhar a vida do outro.

Você deixou de ser a essência e um enigma, e virou um enigma das imagens que você quer mostrar que é.
Estamos imersos em uma sociedade em que estamos sempre sendo vigiados, observados. Estamos em carnaval profundo e prolongado.
Sem apontar o dedo para A ou B, mas como fenômeno global.

Hoje temos a possibilidade de comprar sem sair de casa, mas ao mesmo tempo, temos a dificuldade de lidar com a quantidade de exposição que acabamos oferecendo. Somos vistos e observados, e como uma grande “paranoia” coletiva, vivemos em uma sociedade nua.

Podem me controlar sem precisar muito. Podem ter muito de mim, sem que eu necessariamente, seja coagido.

Somos grandes pinturas no vidro, em meio de um tiroteio. Não somos tão complicados para quem não quer que sejamos, não é?

Se desde que nos deram números (cpf) nos tornamos não mais pessoas, mas um número que consta nos arquivos, quando fomos digitalizados, nos tornamos 0 ou 1 de informações.

Já pararam pra pensar em como que há sites que possuem nossas informações, e o quanto é perigoso que caiam no esquecimento?
Qualquer site antigo, pode oferecer vender as informações contidas ali (mesmo que possa haver problemas legais).
E o que até mesmo a sua avó, sem ser cibernética, já te dizia era que “saber é poder”. Deixamos que eles saibam… porque trocamos por facilidades.

Nossa sociedade vendeu a alma por uma cama mais confortável.

@Vigilância

Estamos vivendo os últimos tempos, décadas, de internet “livre” da história. Pelo menos essa é a constatação depois de ler algumas páginas do livro Cypherpunks escrito por Julian Assange. Recentemente o Brasil recebeu a visita de Yoane Sanches e junto com ela desembarcou toda uma polêmica sobre a liberdade de expressão dentro do regime cubano. Mas a censura que se ergue não é tão simples como ser impedido de criticar um regime político falido.
Estamos aos poucos ingressando em uma época em que ideias melhores que as provenientes de políticos e lobbys corporativos podem ser enquadradas na clássica lógica do vigiar e punir.
A internet está se tornando um ambiente altamente militarizado, sendo que exatamente tudo que se passa na rede está sendo armazenado, ou simplesmente estamos postando por livre espontânea vontade ou fazendo pesquisas no maior serviço de espionagem da história. Há cada vez menos privacidade para os indivíduos e cada vez mais sigilo e proteção sobre ações de governos e corporações.