Dói ter que dizer: “Era”.

Bem, eu nem sei bem do que se trata,mas vi essa frase do título de hoje, sendo citada com uma referência a “Querido John”…talvez seja um livro ou filme, anyway, eu não sei mesmo do que se trata, só sei que ler isto mexeu comigo e me fez pensar em todas as coisas que eu já tive, de algum jeito, dizer que “era” ou que foram. Acho que pior ainda é pensar nas coisas que eu teria que dizer : “Como seriam, se fossem”.

Só pra efeito de informação, procurei saber e descobri que a referência se trata de um filme (“Querido John”); sem entrar em muitos detalhes; não sou mesmo o maior fã de cinema, apesar de meu primeiro texto aqui, ser a esse respeito. Bom, voltando ao assunto…

Vivemos nossas histórias de vida, oscilando entre os corajosos que vivem suas histórias, os sortudos que são bem sucedidos e felizes sempre (me belisquem!); aqueles que tentam e não conseguem ou não são felizes e continuam tentando e os que nem sequer tentam e imaginam finais felizes e respostas certas pras brigas, duas horas depois, enquanto tomam banho…Deixe-me dizer duas coisas sobre essas categorias que eu mencionei acima: primeira coisa, a categoria de bem sucedidos e felizes sempre não existe. É só uma utopia que alguns filmes que você assistiu na adolescência te fazem acreditar que são reais, mas não são( Viu porque eu não gosto de filmes?).  Segunda coisa, todos nós, em determinado momento de nossas vidas, ficamos imaginando no banho uma resposta melhor pra dar naquela recriação imaginária do momento que fazemos quando pensamos sobre ele.

E eu já ia me esquecendo de uma outra categoria: os que vivem e se dando bem ou mal no fim, ficam com as lembranças e as memórias, porque, de fato, chega um ponto da vida que é mesmo só isso que resta!

E aí que está o segredo! Dizer “era” pode mesmo doer! Mas a dor que sentiremos dependerá do fator fundamental: será uma dor por uma saudade boa de algo que vivemos intensamente e com prazer ou a dor da frustração de deixar passar oportunidades que nunca mais voltarão?  Porque, de fato, se o “era” foi bem vivido, a dor vem acompanhada de alegria e satisfação por uma boa memória, uma boa história pra contar e uma boa conversa numa mesa de café!

Sabe de uma coisa? Não deixe os seus “era” doerem por coisas que deixou de fazer ou por saudades que sentiu de coisas que nem mesmo viveu! Lembre do seu “era” com um sorriso de canto de boca, satisfeito, meio discreto e até um pouco sem graça, como quem se desculpa por ser feliz!

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“Tudo que vai deixa um gosto…” Adeus MTV.

No último dia 26 de setembro assistimos entristecidos a transmissão do último programa ao vivo da MTV. Como faço parte da geração MTV, vi com muita tristeza tudo isso. Mas foi um momento de reflexão e de lembranças sobre o que este canal representou em minha vida. Foi tempo de sentir a fugacidade da vida.

Eu não me lembro muito bem como começou minha relação com a MTV, mas eu lembro e muito bem que ela marcou toda a minha adolescência, ao ponto de na oitava série eu receber o apelido garota mtviciada. Eu sabia absolutamente tudo sobre todos os programas da MTV, e só de falar nisso me bate uma saudade do Palco MTV, do Disk MTV, do Super Nova, do Teleguiado, da Mega de VJs Paladinos, do Garoto Enxaqueca, do programas do João Gordo, do Piores Clipes do Mundo,do Fica Comigo, de toda a programação de Verão MTV, do Barrado MTV, do Rock Gol de Domingo, do Jornal MTV, do Cine MTV, dos Acústicos, dos VMBs. E a lista seguiria.

E os VJs então, Cuca, Astrid, Gastão Moreira, Casé Pessanha, Fábio Massari, João Gordo, Sabrina Parlatori, Marcos Mion, Didi, Marina Person, Luiz Thurderbird, Cris Couto, Cris Niklas, Fernanda Lima, Rafa, Léo Madeira, Sara Oliveira e o que sempre foi o meu VJ predileto, o VJ Pão Edgard Piccoli, eu passei anos querendo casar com um cara descolado como o Edgrad. É… mas ainda não encontrei nenhum cara assim… rs. A saudação do Edgard em todo começo de programa ainda ressoa em meus ouvidos: “Salve, salve rapaziada, Edgard na área em mais um placo MTV…”

Eu tive a oportunidade de conhecer a emissora um pouco mais de perto, participando na plateia do programa Quiz MTV, e na arquibancada do campeonato Rock Gol. E que máximo essas experiências foram em minha vida. E sim, eu fui uma das centenas de garotas que se inscreveu para participar do Programa Fica Comigo que foi especial com a participação do Leandro do KLB, pena que não deu né. rs

Eu amava ver a MTV, porque além de muita música, e dessa música ter uma cara, uma história com imagens através do clip, ela falava a linguagem jovem que eu queria ouvir, de papos sérios misturados com diversão. Certamente eu devo a MTV boa parte da minha maneira de ver e de consumir entretenimento. E por sempre reprisar os programas sempre me dava mais uma oportunidade de assistir o que eu tinha perdido, era de certa forma uma preservação contínua da história.

E quantas não foram a bandas que eu curto hoje que vi pela primeira vez num de seus programas. Até a minha escolha de que graduação fazer, como já disse num dos meus Cafés aqui, foi por causa de uma entrevista que vi num jornal da MTV. A MTV faz parte da minha história, faz parte de um pedaço de quem eu sou hoje.
É bem verdade que já faz alguns anos que a emissora deixou de ser o que já foi outrora. E em protesto pela saída do Edgard, eu passei alguns aninhos sem ver nada por lá. Só recentemente  ligava a TV na MTV para ver alguns clips.

Sou da Geração MTV, que viu na última-quinta feira um pouco de sua juventude ir embora, de perceber que a estação da vida ligada a MTV passou e que é hora de começar a superar a síndrome do Peter Pan e ir deixando a Terra do Nunca. Mas será que isso é possível??

Meu Café de hoje vai com gosto de saudade de tempos MTVísticos que não voltam nunca mais….

E o tempo se vai…

Há quem não goste de roça. Eu não sou uma dessas pessoas. Era muito gostoso quando a gente ia para o sítio da bisavó Dinha. Sempre que meus pais falavam que iríamos pra lá, me vinha aquela idéia de que a gente iria viajar. Só mais tarde – quando já grande – fui descobrir que a casa da bisa não era tão longe assim. Na verdade fica bem perto da minha Pouso Alegre, numa zona rural do município de Espírito Santo do Dourado, sul de Minas.

Eu, minhas irmãs e meus primos nos divertíamos muito. Não nos agradava muito a companhia dos adultos, por isso íamos para os fundos do enorme quintal. Lá tinha um pequeno córrego, chamado por todos de “corguinho”. Ali aconteciam as corridas de barquinhos de papel, de pedaços de galhos e também laranjas podres (tudo que pudesse se converter em brinquedo). Cada um tinha o seu, marcávamos bem para não nos confundir, e apostávamos para ver qual iria ganhar ou até onde nossos barcos improvisados conseguiriam navegar sem se enroscar em algum galho caído ou rocha que houvesse no córrego.

Às vezes fico pensando que não aproveitei tanto quanto hoje eu aproveitaria. Hoje a criança que há em mim sabe coisas que a criança de outrora não sabia – uma delas é que o tempo passa rápido, que a vida é efêmera e que as belezas da natureza estão se esvaindo – não é mais absurdo dizer que num tempo não muito distante viveremos (desejo muito que não seja assim) em um planeta totalmente devastado; um lugar feio no qual as águas serão escuras e sujas, as árvores ressequidas e sem flores, o ar seco e pesado.

Quando penso nisso tudo me bate uma saudade dos lugares roceiros que já visitei com minha família. Lugares onde sempre a gente tem contato com o que há de mais belo na criação. E eu adoro tudo isso!

Tenho saudade até do jeito como as pessoas se comportavam. Na casa do tio João, que na verdade era tio da minha mãe (meu tio-avô então), a gente chegava e todos se mobilizavam para nos receber bem. Aquela hospitalidade mineira. Pegava-se um frango gordo, limpavam o bicho, e jogavam na panela. Sopa de macarrão, feijão, arroz bem temperado, e pimentinha da boa. Colocavam umas colherezinhas de pimenta ardida num potinho com caldo do frango refogado, alguns flocos de farinha de milho pra ficar com uma aparência bonita, era uma delícia!

Tudo isso parece estar tão longe. E me bate o sentimento de nostalgia. O planeta está mudando, as pessoas também, e nós também mudando a passos largos e quase não percebemos. Os dias correm acelerados e nós corremos mais ainda para poder alcançá-los. Dá-me aquela sensação de que alguns prazeres ficaram para trás e só vivem na memória. “O que a memória ama fica eterno”, já disse Adélia Prado. Mas me parece meio triste que seja assim.

Quero provar a vida. Quero o cheiro de terra, de capim verdinho, mergulhar em lagos, me banhar em cachoeiras, comer comida caipira de todos os cantos do meu Brasil. E tenho certeza que hoje pode ser bem melhor que ontem. Só porque a vida me ensinou que o tempo foge, foge apressadamente. Indomesticável… como só ele sabe ser.

Meu estranho amor.

Não estava nos meus planos postar esse texto, mas descobri hoje cedo que hoje é o dia da Poesia ou do poema, sei lá. Não que eu me atreva a me considerar poeta, mas de vez em quando, arrisco colocar no papel algumas coisas que sinto ou que senti em algum momento da vida. É o caso desse texto que segue. Foi escrito recentemente, apontando pra coisas de um passado, não muito distante, mas algo bem recente. Graças a Deus, o tempo passa. Como é possível que você tenha percebido, esse texto é também uma homenagem, não só a quem serviu de inspiração pra essas palavras, mas a uma música conhecida de Caetano Veloso, chamada “Nosso estranho amor”. Espero que vocês gostem e que me perdoem a ousadia.
Que me perdoem Drumond, Vinicius, Pessoa e tantos outros os quais evoco como verdadeiros poetas, dos quais me atrevo a usar o título, sendo tão medíocre no que escrevo. Mas pelo menos, ofereço a você que lê, esse encontro com aquilo que eu sou: todo coração e cólera!

Meu estranho amor
Já quis demais, sem saber se, de fato, merecia;
Já sugou, buscou, perseguiu, inqueriu com os olhos, olhos que dele fugiam.
Brigou, quis desistir, fingiu desprezo, chorou, virou a cara.
Depois, sentiu saudade, se odiou por ceder e de novo, se entregar.
Meu estranho amor interpretou tudo errado, leu a mensagem dos olhos
Que os lábios negavam. Estendeu a mão sem nada entender.
Demorou, mas fez sentido: entendeu que por ser estranho, seu futuro era incerto.
Por ser amor, não pôde desistir.
Por ser amor, não vai embora, mas por ser estranho, sorri e dorme feliz a cada retorno, cada menor gesto.
Por ser amor, faz da amizade seu maior brinde.
Por ser estranho, ama à distância, como diz a lenda, o sol ama a lua, a cada noite.
Por ser amor, já é estranho.
Por ser estranho, continua amor.