O Mito da Fênix

Ouve-se falar sobre o Mito da Fênix, que remonta ao antigo Egito e foi posteriormente transmitido aos gregos e outras civilizações, chegando até hoje. Você, querido leitor, já deve ter ouvido falar da ave que ao sentir a proximidade da morte, ao cabo de cada ciclo existencial, preparava uma fogueira funerária com ramos de canela, mirra, se auto incendiava e era devorada pelas chamas, ressurgindo delas como uma nova Fênix, a qual juntava as cinzas de seu progenitor e as conduzia ao altar do deus solar, Deus Sol , Rá no Egito. Esse altar era localizado em Heliópolis, cidade do sol, egípcia.

Para diferentes povos, essa ave tem características distintas, aparência própria, mas em quase todas ela simboliza a mesma coisa: a imortalidade ou pelo menos, a capacidade de se reinventar, de ressurgir e recomeçar.

Se reinventar das chamas que ardem, das dores de morte, daquilo que vai tentando nos destruir, mesmo que o inimigo seja interno, mesmo que você mesmo seja aquele que se incendeia por suas escolhas, paixões, desejos e decisões. Fato é: a vida pode se reinventar e à luz do mito da Fênix, temos um novo dia, um sol que, como a Fênix, queima a si mesmo e morre todos os dias, renascerá amanhã para uma nova oportunidade

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O sol está brilhando lá fora

O despertador toca
07 horas da manhã
Lava o rosto, coloca uma roupa, prepara um café
Olha a janela
O sol está brilhando lá fora
Corre para o serviço, risca o calendário, acende um cigarro
Faz as compras no mercado
Encontra um velho conhecido
Troca um sorriso sem graça
Entra no carro
Deita na cama, pega um livro, olha o relógio
Dorme, acorda, dorme de novo
Uma semana se passa
Entra no escritório
O sol está brilhando lá fora
Compra um sapato novo
Olha as vitrines no shopping
Entra no dentista, faz um canal
Esvazia um copo
Dois ou três
Visita sua mãe, abraça sua irmã
Cumprimenta seu vizinho
Entra no elevador
Abre as cortinas
Vê o sol brilhando lá fora
Alimenta seu cachorrinho
Alimenta uma esperança
Alimenta um pastor desconhecido
Começa uma dieta, corre no calçadão
Sente raiva, sente dor, sente medo
Depois alegria, nostalgia, depois medo
Deita no chão do quarto
Olha para o céu, encara o espelho
O reflexo mudou junto com o seu cabelo
O sol está brilhando lá fora
Vai ao culto no domingo
Faz uma oração decorada
Volta da Igreja, liga a TV
Passa a tarde inteira na poltrona
Abre a geladeira
Come besteira, assiste um jogo de futebol
Chora escondido no banheiro
Chora de novo no travesseiro
Guarda um diploma na gaveta
Guarda vários sonhos também
Chega a segunda-feira
O despertador toca
E o sol está brilhando lá fora

Clair de Lune

 

Diz uma antiga lenda, não sei de que povo ou cultura que: o Sol e a Lua sempre foram apaixonados um pelo outro, mas nunca podiam viver seu amor porque a Lua só surgia no céu depois que o Sol havia se posto. Porém, como prova de que nenhum amor é impossível, Deus criou o eclipse. Eu sempre fiquei intrigado com essa lenda. Porque, de fato, alguns eclipses nunca chegam ou talvez, nunca chegarão a acontecer e eu ficava imaginando o que o Sol sentiria sobre isso.

Durante algum tempo, o Sol, em seu desejo ardente pelo encontro, em suas brasas de paixão, sempre procurando consumar seu amor, não se conformaria com a falta desse eclipse. Por tão grande amor, o Sol jamais percebera que seu amor, sua paixão ardia, queimava qualquer um que dele se aproximasse e sua luz era tão intensa que nem mesmo olhar pra ele era fácil.

Não entendia o dano que sua paixão, seu amor poderia causar em sua querida, porém tão frágil Lua. A Lua por sua vez, sempre foi mais sensata. Desde o começo, embora, a princípio também encantada com toda aquela luz radiante e alegre que o Sol raiava dos olhos, tenha desejado que aquele amor fosse possível; mas sempre foi serena, tranquila, sábia e sensata. A Lua tinha os pés no chão. Se esse amor de alguma forma pudesse se concretizar, algum dia, o Sol era a paixão irracional, a Lua, a razão.

O Sol se deixava levar pelo devaneio e o sonho.Era todo coração e cólera. A Lua sofria. Porque o brilho, a luz e o calor do Sol lhe tocava a alma profundamente, mas sem que ela pudesse sequer olhar pra ele. Sofria porque sabia que o amor, por maior que fosse, não bastava. Nunca basta. Por isso, a Lua se mantinha distante, imponente e cheia de pose. A Lua tinha esse ar meio distante que lhe dava quase um gesto de superioridade. Esse ultraje para o Sol que se sabia “rei dos astros” o deixava ainda mais em brasas e envolvido.

E assim segue a história. O Sol consumindo a si mesmo em fogo por amor. A Lua, a cada noite, de volta ao seu lugar. O eclipse ? Talvez não venha nunca. O amor ? Talvez não baste.