As folhas caem.

Ao ver a menininha chorando, perguntou: “O que você tem, lindinha?” Ela, que olhava folhas caídas ao chão, respondeu com seu ar de pureza e inocência: “Estou com pena da árvore!” Quis saber o porquê e ela disse: “Suas folhas estão caindo! Deve doer…!”

Saiu daquele encontro pensando sobre a doçura da menina e a verdade daquele encontro inesperado. De fato, pra árvore será que dói? Mesmo que seja doloroso, em sua sabedoria, a árvore entende que, naquela estação, deixar cair as folhas secas é importante em seu processo de renovação. Ela sabe que o outono chega todo ano e com ele, o tempo de deixar ir o que secou para renascer no ciclo da vida. Em sua serenidade, a árvore sabe, pela experiência e o passar dos anos em que viu suas folhas secarem e se despedirem, que esse é o começo. Ainda haverá de passar por um rigoroso inverno sem folhagem para, só então, florescer e sentir a vida revigorada, começar a brotar novamente com cores e beleza.

Talvez, em seu primeiro outono, ela tenha tomado um susto e se desesperado. É assim quando se é jovem. Só o tempo e a passagem de muitos outonos nos dá maturidade para compreender que as folhas cairão no outono; o inverno chegará, depois floresce e começa tudo de novo.

Só o tempo ensina que é necessário deixar cair as folhas secas pra renovar o ciclo. Só o tempo nos ensina a lidar com os outonos. Só o tempo nos dá paciência para suportar os outonos.  Mas a gente aprende: deixar as folhas secas caírem pode até doer, mas é parte do inevitável processo da vida. Que as árvores nos ensinem a lição: Serenidade para viver a essência de cada estação.  

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Seja o que for, seja.

Um dos maiores compromissos que temos na vida nos vem sem nos darmos conta. Desde que nascemos estamos fadados a isso: ser.  Precisamos ser desde muito cedo. E somos. De alguma maneira, somos. Seja pela perspectiva de outros ou por descobertas que fazemos de nós mesmos, acabamos sendo. Confuso ? Vamos tentar esclarecer.

Desde muito pequenos somos comprometidos com a agenda do que as outras pessoas querem ,desejam, esperam ou simplesmente impõem sobre nós: “Que menina bagunceira!” ou “Você é um preguiçoso!” ou, pra ser mais ameno: “Olha como ele é calminho!” e “Ela é muito comportada!” são alguns entre muitos estigmas com os quais todos nós, em algum momento tivemos que lidar na vida. Nem sempre concordamos com eles. Algumas pessoas, envolvidas com a psicologia ou religiosas, afirmam que essas demarcações identitárias definem muito sobre quem de fato seremos ou somos. Algumas pessoas dizem que somos o que nossos antepassados afirmaram sobre nós na infância e que essas sentenças se cumprem no destino das suas vítimas e por isso, é preciso certo cuidado ao afirmar coisas muito fortes sobre a vida das crianças.

Deterministas a esse ponto ou não, fato é: em algum momento da vida, a gente se dá conta de que mais do que responder expectativas alheias, chega o dia em que realmente precisamos ser. Às vezes seguimos uma agenda de expectativas, do que os outros esperam de nós, por muito tempo e vivemos numa espécie de prisão de viver, trabalhar e nos comportarmos como os outros esperam que o façamos: “Se eu não for assim, meus pais vão sofrer!” ou “Não é isso que se espera de mim no meio em que eu vivo!”; “Minha religião não permite!”.

A questão não passa por uma independência total e arbitrária de se chegar a um ponto em que a gente é o que quiser e dane-se a opinião do mundo. Até porque isso é um tanto quanto fantasioso. Não se iluda! Todos nós precisamos representar um papel e viver em sociedade significa isso. Defendem autores da ontologia: eu sou sempre em relação ao outro. Logo, o meu ser está sempre diretamente ligado ao ser do outro porque eu vivo em sociedade. Isso é o que permite a vida em comum e somos minimamente “civilizados” nos moldes da civilização ocidental porque aprendemos desde cedo que precisamos respeitar os direitos dos outros que habitam essa sociedade comum. Princípios de respeito e convívio dos quais não nos livramos nunca. Dorme com esse barulho.

Além disso, outra questão que pesa, se formos bastante sinceros, é que dificilmente alcançamos a maturidade necessária, se é que ela existe, de afirmarmos com veemência que chegamos a um ponto em que não mudaremos mais. Que garantia eu tenho de que o que eu afirmo ser hoje vai durar até o fim da minha vida? Ainda mais que me considero relativamente jovem e não está nos meus planos morrer tão logo. Então, se nos serve de consolo, podemos usufruir o que somos hoje sem o compromisso e a obrigação de manter isso como uma prisão. Pelo contrário, temos em nossas mãos a possibilidade de construir sempre o que somos, em relação com tudo de novo que conhecemos e aprendemos da vida e das relações que construímos ao longo da vida.

É o nosso compromisso: construir, desconstruir, reconstruir sempre o que queremos ser e o que somos, mesmo sem querer,  todos os dias. Mesmo que isso custe, mesmo que essa construção demore feito obra de igreja  ou que seja até dolorosa em alguns momentos em que teremos que lidar com descobertas que não desejávamos: eu sou isso mesmo? Mas não era o esperado de mim…A questão é ser honesto, pelo menos consigo mesmo nessa eterna construção, nessa descoberta,  nesse eterno jogo de si mesmo. Afinal, já diria o cantor popular: cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é.

Voando baixo, bem baixo…

Para aqueles e aquelas que moram na cidade de São Paulo, ou na região metropolitana paulistana a polêmica da vez é a redução de velocidades na Marginais Tiete e Pinheiros. Só para situar você que não é do pedaço, as marginais são vias rápidas construídas literalmente as margens dos Rios Tiete e Pinheiros, que diga-se de passagem acabaram com as margens e o leito natural desses rios, contudo, esse é um papo para outra Mesa de Café. Tais vias foram criadas para ficar fora da cidade como uma alternativa para deixar o tráfego de trânsito mais rápido. As velocidades que eram de 90 Km (pista expressa) e 70 Km (pista local), diminuíram para 70 km,(expressa), 60 (central) km e 50 km ( local).
Quando vi toda a polêmica que nossa impressa “sempre tão imparcial” levantou sobre o assunto, como boa pessoa reflexiva e questionadora de esquerda, achei alguns exageros, principalmente pela falta de clareza na informação que esta medida é de caráter experimental. A propósito, aqui cabe uma valorização disso, leis no geral mudam de forma bem impactante nossa vida, nossos hábitos, costumes e rotinas, a ideia de criar um experimento prático antes de por de fato a lei em vigor é sempre muito inteligente, além de provocar uma profunda reflexão que a teoria em muitas oportunidades não dá conta da dinâmica prática da vida.

Mas voltando a minha reflexão sobre a velocidade da marginais, quando pude pela primeira vez dirigir nas condições da velocidade baixa percebi que definitivamente não é nada fácil diminuir tanto a velocidade assim. Confesso que ando sempre ali no limite da velocidade, gosto da aventura de dirigir rápido, e ainda que quisesse dizer que ando devagar as multas que já tomei por excesso de velocidade, inclusive nas marginais, me desmentiriam. É desafiador ver uma pista reta, livre e sequer conseguir trocar a quinta marcha. Manter os olhos fixos no 50 Km também é desafio, pois o velocímetro (do meu carro) marca a velocidade a cada 20 km, com números pares, o freio do carro tem que estar bom, e a atenção mais que redobrada.

Andar numa velocidade mais baixa, num mundo que tudo é feito para ser cada dia mais rápido, parece uma ironia muito grande, contudo, o passeio mais devagar na Marginal revelou alguns aspectos interessantes, como conseguir perceber quase que a harmonia dos carros andando num rápido prudente devagar, quase como um comboio coletivo, de pessoas que sequer vão ao mesmo lugar. É possível olhar melhor para os arredores e ver coisas que na alta velocidade passam bem desapercebidas, e certamente repensar a questão tempo, afinal, porquê temos que viver tudo o mais rápido possível? Porquê não aproveitar a vida de uma forma mais devagar? Por que a insistência de querer viver tudo da pressa?

Certamente, o governo municipal ao diminuir a velocidade estava pensando em outras demandas, tais como a diminuição de mortes no trânsito, e não essa reflexão um pouco mais profunda que eu tive. Mas por que não parar para pensar além dos que os olhos podem ver? Por que fazer a crítica pela crítica e não sair da caixinha, do lugar comum e pensar melhor sobre o cotidiano, sobre a vida? Por que não tornar a vida mais reflexiva e mais profunda? Por que sempre exaltar os aspectos negativos das coisas? Por que se cegar ao ponto de não conseguir enxergar os aspectos bons e positivos da vida em cidade?

Bora voar alto, mas bem alto mesmo em nossa imaginação e reflexão!

Dois!

Bolo, bexiga, coxinha, risoles, brigadeiro, beijinho, e outros docinhos, velhinha, suco, refrigerante, conversas, muita alegria. Essa semana nossa Mesa de Café está assim com todas essas gostosuras, pois celebramos os dois anos que nosso querido Blog Café das Cinquepoca está no ar.
Celebrar aniversário é sempre muito bom, nada melhor do que poder louvar a Deus pela vida, e fazer isso do lado de amig@s e família é sempre muito especial. É isso que fazemos essa semana em nossa mesa, celebramos nossos dois aninhos.
Devo dizer que quando aceitei o convite do Kadu para fazer parte dessa Mesa não imaginei que isso fosse durar tanto tempo, que nossos Cafés iriam alcançar tantas pessoas, como alcançou, que minhas reflexões sobre história, tempo, vida, morte, amor injustiça, esperança e tantos outros assuntos poderiam gerar curiosidade em outras pessoas ao ponto de sentarem à mesa junto comigo, nas quarta-feiras. Não imaginei sequer que escreveria por mais de duas semanas, e lá se foram 60 Cafés preparados.
Assim, meu Café de hoje só pode ser de felicidade e gratidão a vocês nossos leitores e leitoras que compraram essa ideia conosco, a Deus que nos permite viver experiências de vida que podem ser compartilhadas num texto, e no meu caso a gratidão também vai ao dono da Mesa Kadu, que no meio de tantas outras amigas que ele poderia ter convidado para escrever, resolveu escolher essa historiadora, cristã protestante, sonhadora que acredita que um mundo melhor é possível, e essa mudança pode começar com uma simples xícara de Café, compartilhada as Cinquepoca, num lugar qualquer, num dia qualquer. Viva nossos dois anos!

Dói ter que dizer: “Era”.

Bem, eu nem sei bem do que se trata,mas vi essa frase do título de hoje, sendo citada com uma referência a “Querido John”…talvez seja um livro ou filme, anyway, eu não sei mesmo do que se trata, só sei que ler isto mexeu comigo e me fez pensar em todas as coisas que eu já tive, de algum jeito, dizer que “era” ou que foram. Acho que pior ainda é pensar nas coisas que eu teria que dizer : “Como seriam, se fossem”.

Só pra efeito de informação, procurei saber e descobri que a referência se trata de um filme (“Querido John”); sem entrar em muitos detalhes; não sou mesmo o maior fã de cinema, apesar de meu primeiro texto aqui, ser a esse respeito. Bom, voltando ao assunto…

Vivemos nossas histórias de vida, oscilando entre os corajosos que vivem suas histórias, os sortudos que são bem sucedidos e felizes sempre (me belisquem!); aqueles que tentam e não conseguem ou não são felizes e continuam tentando e os que nem sequer tentam e imaginam finais felizes e respostas certas pras brigas, duas horas depois, enquanto tomam banho…Deixe-me dizer duas coisas sobre essas categorias que eu mencionei acima: primeira coisa, a categoria de bem sucedidos e felizes sempre não existe. É só uma utopia que alguns filmes que você assistiu na adolescência te fazem acreditar que são reais, mas não são( Viu porque eu não gosto de filmes?).  Segunda coisa, todos nós, em determinado momento de nossas vidas, ficamos imaginando no banho uma resposta melhor pra dar naquela recriação imaginária do momento que fazemos quando pensamos sobre ele.

E eu já ia me esquecendo de uma outra categoria: os que vivem e se dando bem ou mal no fim, ficam com as lembranças e as memórias, porque, de fato, chega um ponto da vida que é mesmo só isso que resta!

E aí que está o segredo! Dizer “era” pode mesmo doer! Mas a dor que sentiremos dependerá do fator fundamental: será uma dor por uma saudade boa de algo que vivemos intensamente e com prazer ou a dor da frustração de deixar passar oportunidades que nunca mais voltarão?  Porque, de fato, se o “era” foi bem vivido, a dor vem acompanhada de alegria e satisfação por uma boa memória, uma boa história pra contar e uma boa conversa numa mesa de café!

Sabe de uma coisa? Não deixe os seus “era” doerem por coisas que deixou de fazer ou por saudades que sentiu de coisas que nem mesmo viveu! Lembre do seu “era” com um sorriso de canto de boca, satisfeito, meio discreto e até um pouco sem graça, como quem se desculpa por ser feliz!

“Hoje é um novo dia, de um novo tempo que começou…”

Durante todo o mês de dezembro uma música invade nossas casas quando ligamos nossa TV, ela diz: “Hoje é um novo dia/ De um novo tempo que começou/ Nesses novos dias, as alegrias/ Serão de todos, é só querer/ Todos os nossos sonhos serão verdade/ O futuro já começou”. E talvez pela exaustão de vezes que a escutamos, tanto pela quantidade de execuções diárias quanto pelos anos que ela é utilizada como trilha de fim de ano nossos ouvidos já ficaram acostumados e nós já nem prestamos mais atenção na letra. Mas ela fala de esperança, da esperança que virá com o novo tempo do Ano Novo. Certamente você assim como eu fez lá sua listinha de coisas para realizar em 2014. Janeiro já se foi, os primeiros dias de fevereiro já bateram em nossa porta, e aí o que você já conseguiu cumprir?

Mas quando comecei a refletir sobre isso fui um pouco além, e comecei a me perguntar, porque a gente tem que esperar um ano novo para viver um novo tempo? Um novo dia? O futuro? Porque esperar a segunda-feira para colocar em prática aquela promessa de anos? Todos os dias quando acordamos vivemos um novo dia, de um novo tempo que começou, todos os dias podemos viver nossos sonhos, já diria o verso da canção do Chorão “temos tão pouco tempo” . Não precisa que o calendário mude o ano para que possamos viver algo diferente, novo, maior e melhor. Costumo dizer que nós temos que nos converter todos os dias. Pois é necessário diariamente mudar a rota, avaliar o que não foi bom, o que foi meia-boca, mudar e tornar a vida melhor.

Aproveite este tempo novo de 24 horas que está na sua mão e faça dele o melhor tempo possível, faça dele um tempo de festa. De uma festa “que seja sua, que seja nossa que seja de quem quiser, de quem vier”. Faça do seu simples ou do seu farto café uma grande festa diária. Chame pessoas para sentarem contigo à mesa e converse, converse e converse. A vida fica tão mais divertida quando a partilhamos com os outros. Faça desse 2014 um tempo novo, um tempo de festa a cada dia!

Como num piscar de olhos…

Eis que de repente, não mais que de repente eu pisquei meus olhos em janeiro e quando voltei a visão já era dezembro. Sim 2013 passou voando, quase na velocidade da luz! rs. Mas no meio dessa piscada muita coisa aconteceu, coisas boas, coisa que dá vontade de piscar novamente pra ver se voltam ao lugar que estavam antes.

E a história de nossas vidas segue, a história de nosso país segue, a história dos nossos queridos segue…Ou melhor talvez não siga mais… Pois é, 2013 foi um ano de perdas de pessoas tão queridas…mas suas histórias continuarão vivas em nossas lembranças e assim dá pra seguir com nossas próprias histórias e aprender a cada dia mais conviver com a saudade. Mais se teve gente querida que teve sua história interrompida, outras tantas histórias nasceram, nunca na história do meu feed de notícias do Facebook vi tantos amigos e amigas sendo mamães e papais, como fiquei feliz de ver tanta criança bonita chegando ao mundo. Isso também renova nossas esperanças!

E nessa piscada outras pessoas se achegaram no meu campo de visão, e com suas preciosas presenças fizeram diferença pra mim, quantas conversas, quantas dicas, quantos conselhos, quando crescimento mútuo. Como louvo a Deus por ter por perto tanta gente que tem como diria a canção “dividido comigo suas histórias e me ajudado a construir a minha.”

Nessa piscada também, enxerguei uma juventude mais engajada, mais preocupada com a melhoria do país, que não mediu muitos esforços e foi pra rua, mostrando que quer de alguma forma lutar e construir um lugar melhor.

Na piscada percebi de uma maneira mais forte ainda o que é ser dependente de Deus, e como O louvo porque Ele me deu uma família, amigos e amigas que foram importantes suportes nesse momento.

Nessa piscada fui parar numa Mesa de Café, ás Cinquepoca, nela pude compartilhar e refletir com muitas pessoas sobre a vida, história, morte, tempo, amor, justiça, Deus, música, igualdade, futebol, esperança… Afinal qualquer coisa cabe na nossa Mesa de Café, e como foi bom ter a companhia de vocês mesmo que à distância.

Nesse meu penúltimo Café de 2013, eu queria apenas refletir, ainda que em poucas palavras o que esse ano foi na minha vida e no mundo ao meu redor, e te convido a fazer o mesmo, talvez seja o momento de um Café solitário, você, sua xícara de café e seus pensamentos, refletindo como apesar dos muitos pesares a vida vale a pena para que não tem a alma pequena numa paráfrase aos versos do poeta Fernando Pessoa.

Assim no finalzinho dessa piscada eu faço um brinde com minha xícara de Café á 2013, e que venha a piscada 2014!